Ciclo Areias do Tempo
Cons(c)ertando o Brasil
Tudo deve funcionar como numa orquestra...
É preciso em primeiro lugar que se erradique a fome, para que a mente possa ter energia para pensar.
Então, com o corpo alimentado e a mente ativa, pensa-se em cuidar da saúde.
Cuidando da saúde física, fisiológica,emocional e mental,se está apto a sentir compaixão pelo próximo.
Então se cuida dos doentes de AIDS , das crianças, idosos e dos drogados - que não podem se cuidar sozinhos.
Com os humanos tratados, poderemos perceber que os animais nas cidades precisam de ajuda, então trataremos os cães e gatos, e outros mascotes.
Tratar dos animais urbanos nos fará lembrar dos animais de fora das cidades, e chegando ao interior, ao campo e às matas, veremos que não só a fauna como a flora precisa de nós. Assim cuidaremos dos animais em extinção e da ecologia de maneira geral.
Para cuidar os animais em extinção e da ecologia, teremos que tratar das indústrias que comercializam e transformam estes animais em produtos e para isto poluem o ambiente e destroem o equilibrio ecológico.
Cuidando das indústrias, elas perceberão que deverão ser sustentáveis-isto significa que não mais poluirão ou matarão desenfreadamente;elas perceberão que terão que ser cidadãs - isto significa que cuidarão daqueles que não podem ainda comprar os seus produtos( para que um dia possam), assim ajudarão a acabar com a fome. As indústrias perceberão que não podem mais vender produtos insalubres - e isto significa que elas cuidarão da saúde dos seus consumidores.Então, o ciclo de cuidado se renovará indefinidamente.
E desta maneira, passo a passo, se consertará o Brasil.
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Quarta-feira, Junho 08, 2005
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Ciclo Areias do Tempo
Bem-querer
Eu quero da flor a cor, e da mesma flor quero o odor que mais lhe agrade.
E da carne, não desejo a dor ou a morte, mas o naco que melhor lhe alimente para que assim vivo você se sustente.
E de dor quero a você tão pouco, o bastante para que se cuide, e o suficiente para que sinta prazer.
A você não desejo mais agonia do que a necessária à remissão dos seus erros, e nada tão forte que se torne berros.
Do seu amor não pretendo ser senhor, mas não quero que ame mais a si mesmo do que aos outros, nem que ame apenas um, mas a todos.
Somente quero que você sofra até que se aperceba que este mundo não basta em si, nem para si, e que existem outros mundos, melhores e piores, além do seu.
Não pretendo que a doença se alastre mas sem ela a saúde não tem valor, nem as pessoas limites.
E que ninguém tema a morte em vida, para que haja vida na morte.
O que eu quero, enfim, é que todos desejem o bem-querer , esta é a única maneira de ser o inimigo bem-quisto e o intruso bem-vindo.
E que jamais se professe a fé que seja única, nem que você confie demais em si mesmo: porque aquele que crê no creador desacredita de si, e aquele que desacredita no creador só crê em si.
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Terça-feira, Junho 07, 2005
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Ciclo Areias do Tempo
Não há que se ler( O Livro das Paráfrases Malditas)
Não há que se ler estas palavras como um libelo, uma concordata ou elegia.
Pois um ouriço sempre estará na defensiva, não importa a maciez do coelho.
E estas não são palavras de plágio, pois o ato de escrever é mais do que imitar como ver uma imagem diante de um espelho e mais do que citar como eco da sua voz reverberando pelas montanhas.
Pois um livro não berra a sua origem ao ser escrito, como uma criança nascendo ou suspira e sussurra a sua censura como um ancião morrendo na fogueira da ignorância.
E escrever é mais do que estar num labirinto de espelhos que distorcem a imagem como num circo de horrores.
Escrever é como se tornar um dragão cuspindo palavras de fogo sobre um cavaleiro e gerando assim todos os romances da Idade Moderna.
Não há que se ler estas palavras solteiras ou apartadas pois tudo o que vem ao mundo tem pais e país, tem razão e raiz, tem predição e assim prediz.
E é impossível reproduzir os livros como se reproduzem os homens ou árvores, porque letras não são cromossomos e palavras não são o DNA. Livros não podem ser plantados tampouco colhidos, mas podem ser escolhidos e lidos.
Não há que se tomar este livro como um livro de paráfrases malditas, melhor seria se o visse como um livro de frases benditas.
Pois todo Sartre tem a sua Simone de Beauvoir, todo Jung tem o seu Freud mas somente Shakespeare teve o seu Marlowe.
Não importa o quanto chore sobre a folha escrita, borrões não irão apagar as linhas como o vento soprando nas pegadas deixadas nas areias da praia.
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