Areias ao Vento
Sobretudo sobre o nada da existência arte,filosofia,e ciência; sobre tudo e sobre nada:do oculto e da sapiência

Testamento 2

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Testamento 2

Deixo para a minha família dívidas: deveria ter sido mais útil, bem-sucedido e menos problemático.
Para a moça que passou ao meu lado numa quinta-feira ensolarada, deixei um sorriso e um olhar.
Deixo para os meus amigos a lembrança de boas conversas e baladas hilariantes.
Para o vento deixei palavras, poemas e idéias vagas.Tudo perdido.
Durante a vida, acumulei alguns bens, listo-os a seguir:
Bem me quer, restou ainda uma última pétala de algum amor esquecido no passado.
Bem te vi, vi direitinho e nunca irei esquecer.
Bem aventurado e feliz andei pela vida,admirei a divina criação, perfeita e bela.
Tenho algumas propriedades, a seguir listo-as e indico quem serão os herdeiros:
Construí um castelo no ar: deixo para aqueles que acreditaram que eu poderia andar com a cabeça nas nuvens e ainda assim ter os pés no chão.
Comprei um terreno em lugar algum: deixo para o João Ninguém com quem me sentei e conversei num dia chuvoso sob uma marquise de um velho edifício.
Acumulei uma pequena biblioteca: dôo-a aos analfabetos.Antes que digam - absurdo -, eu respondo:divino.Deus fez o mesmo, legou-nos o mundo e não sabemos viver nele.
Amealhei a boa fortuna: assim, desejo boa sorte a todos os meus companheiros de jornada, aos bons colegas e todos os afortunados homens de sorte que me auxiliaram.
Deixo a lembrança aos desmemoriados:memento mori!
Deixei a minha marca por onde passei.
O meu olhar, àquelas muitas as quais amei.
Deixo para trás as amarguras, a todos dou o meu perdão.
Deixo para lá; é melhor mesmo deixar para depois, deixar de lado o passado.
E, quando o meu filho primogênito, nunca concebido, atingir a eternidade, receberá a infinita possibilidade, enquanto semente não-germinada: eu teria sido um bom pai.
Para a vida deixo como legado o meu adeus; e, para a morte, um sorriso vitorioso:
Eu voltaREI!
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