Areias ao Vento
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Ciclo Areias do Tempo

Palavras ferem

Transpús o Umbral da noite tenebrosa que envolve os ignorantes para vir até aqui lançar palavras ao vento. Peço que não se apaixonem confiando nas linhas (doces) que escrevo porque elas costumam trair (amarguras) nas entrelinhas; uma tragédia pode ter nascido de uma comédia e uma comédia pode resultar numa tragédia. A pena do escritor ignoto voa do norte ao sul - do boreal ao austral - ao sabor do vento, porque as palavras migram de um extremo ao outro levadas na plumagem das aves migratórias.

Não há que se ler as minhas palavras como alento para o espírito;
Não há que se ler as minhas palavras como açoite para a alma;
Não há que se ler as minhas palavras como carícia para o corpo;
Não há que se gravar as minhas palavras como tatuagem na pele;
Não as tome como um entorpecente para a sua mente;
Não há que se ler estas palavras como um tônico para o ânimo;
Não há que se ler tais palavras como afrodisíaco para a libido;
Não há que se ler as minhas palavras como nada que não se tenha escrito ;
Não há que se ler as palavras gravadas com letras de fogo no Livro do Destino (dos Mortos)
Não há que se ler as minhas palavras...

Não há que se apoiar nestas palavras (ou em mim) como uma bengala que guia um cego na escuridão,
porque se se apoiar muito nela, ela se romperá e você cairá perdido e sozinho no escuro...

Não há que se esperar algo engraçado na tragédia
porque há algo de muito dramático na comédia.
Não há que se confiar num conto, que é ficção, como se fosse parte da História
porque, de outra maneira. a História é uma ficção que todos resolveram contar.
Não há que se ler essas linhas como se o escritor tivesse razão e o leitor não
porque o leitor tem razão quando o escritor erra.
Não há que se ler os versos que não tem métrica
porque os sentimentos não podem ser contados
Não há que se ler os versos que não têm rima
porque nessa vida nem tudo combina no final

Leia essas palavras como um mendigo que pede esmolas a um milionário e recebe trocados.
Ou leia como se fosse você um milionáro dando esmolas a um mendigo.
Leia essas palavras como um raio que cai uma única vez numa árvore.
Ou leia essas palavras como um raio caindo outra vez na mesma árvore.
Leia essas palavras com um vulcão em erupção no mar, criação ainda por terminar.
Ou leia essas palavras como náufrago num arquipélago no Pacífico sem nada melhor a fazer.
Leia essas palavras como uma virgem se deitando pela primeira vez,
Ou as leia como uma meretriz, por qualquer preço, pela enésima vez.
Leias essas palavras como se fossem na verdade um oásis no deserto.
Ou leia-as como se fossem mentiras a formar miragens nas areias

Leia-as com consciência de que foram palavras escritas por um escritor medíocre que nunca existiu ou por um grande escritor que jamais virá a existir, Mas ambos têm visões dignas de serem conhecidas sobre o amor, o ódio, como um precipício nas suas duas extremidades.
São palavras entoadas ao vento num deserto onde não há nada que se ouvir, como mensagens numa garrafa lançadas ao mar sem a certeza de quem as encontrará

Leia com atenção pois não são textos de qualquer um para qualquer um.São palavras que venceram o tempo e, como areias, se espalharam ao vento.



Ciclo Areias do Tempo - resgatando posts do Blogger Brasil enquanto o Areias ao Vento entra em merecidas férias.
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