Ciclo Areias do Tempo
Não há que se ler( O Livro das Paráfrases Malditas)
Não há que se ler estas palavras como um libelo, uma concordata ou elegia.
Pois um ouriço sempre estará na defensiva, não importa a maciez do coelho.
E estas não são palavras de plágio, pois o ato de escrever é mais do que imitar como ver uma imagem diante de um espelho e mais do que citar como eco da sua voz reverberando pelas montanhas.
Pois um livro não berra a sua origem ao ser escrito, como uma criança nascendo ou suspira e sussurra a sua censura como um ancião morrendo na fogueira da ignorância.
E escrever é mais do que estar num labirinto de espelhos que distorcem a imagem como num circo de horrores.
Escrever é como se tornar um dragão cuspindo palavras de fogo sobre um cavaleiro e gerando assim todos os romances da Idade Moderna.
Não há que se ler estas palavras solteiras ou apartadas pois tudo o que vem ao mundo tem pais e país, tem razão e raiz, tem predição e assim prediz.
E é impossível reproduzir os livros como se reproduzem os homens ou árvores, porque letras não são cromossomos e palavras não são o DNA. Livros não podem ser plantados tampouco colhidos, mas podem ser escolhidos e lidos.
Não há que se tomar este livro como um livro de paráfrases malditas, melhor seria se o visse como um livro de frases benditas.
Pois todo Sartre tem a sua Simone de Beauvoir, todo Jung tem o seu Freud mas somente Shakespeare teve o seu Marlowe.
Não importa o quanto chore sobre a folha escrita, borrões não irão apagar as linhas como o vento soprando nas pegadas deixadas nas areias da praia.
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Terça-feira, Junho 07, 2005
Postado por Ricardo Berllin às 11:59:00 AM
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