Ciclo Areias do Tempo
Bem-querer
Eu quero da flor a cor, e da mesma flor quero o odor que mais lhe agrade.
E da carne, não desejo a dor ou a morte, mas o naco que melhor lhe alimente para que assim vivo você se sustente.
E de dor quero a você tão pouco, o bastante para que se cuide, e o suficiente para que sinta prazer.
A você não desejo mais agonia do que a necessária à remissão dos seus erros, e nada tão forte que se torne berros.
Do seu amor não pretendo ser senhor, mas não quero que ame mais a si mesmo do que aos outros, nem que ame apenas um, mas a todos.
Somente quero que você sofra até que se aperceba que este mundo não basta em si, nem para si, e que existem outros mundos, melhores e piores, além do seu.
Não pretendo que a doença se alastre mas sem ela a saúde não tem valor, nem as pessoas limites.
E que ninguém tema a morte em vida, para que haja vida na morte.
O que eu quero, enfim, é que todos desejem o bem-querer , esta é a única maneira de ser o inimigo bem-quisto e o intruso bem-vindo.
E que jamais se professe a fé que seja única, nem que você confie demais em si mesmo: porque aquele que crê no creador desacredita de si, e aquele que desacredita no creador só crê em si.
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Quarta-feira, Junho 08, 2005
Postado por Ricardo Berllin às 3:48:00 PM
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