Areias ao Vento
Sobretudo sobre o nada da existência arte,filosofia,e ciência; sobre tudo e sobre nada:do oculto e da sapiência
ONDE ESTÁS



Queria falar contigo cristal fendido que uiva como um
lobo numa noite de lençóis sacudidos
como um barco desmastreado que a espuma do mar
começa a invadir
onde o gato mia porque todos os ratos partiram

Queria falar contigo como uma árvore derrubada pela
tempestade
que sacolejou tanto os fios telegráficos
que parecem uma escova para montanhas iguais à
mandíbula inferior de um tigre
que lentamente me rasga com um horrível barulho de porta arrombada

Queria falar contigo como os vagões do metrô quebrado na entrada
de uma estação onde penetro com um espinho num artelho
semelhante a um passarinho numa vinha que não dará vinho
como muito menos uma rua interditada onde
vagueio como uma peruca numa lareira
que não esquenta mais nada há tanto tempo
que acredita ser o balcão de um bar
onde círculos deixados pelos copos desenham uma corrente

Simplesmente te diria
eu te amo
como um grão de trigo ama o sol
levantando-se acima de sua cabeça de melro



Benjamim Péret

Obrigado, raelis.
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