Areias ao Vento
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Pensão da Solidão 11 - Brincando de Gato e Rato ou dança com gatos

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Pensão da Solidão 11 - Brincando de Gato e Rato ou dança com gatos

Felibus domo absentibus, mures saltant - Quando os gatos estão ausentes da casa, os ratos dançam.

Felicem qui lateat, vivatque obscurus - Feliz é quem se esconde e vive obscuro.
[Epicuro / Schottus, Adagia 317]


Estamos em uma crise generalizada de todos os locais de clausura: prisão, hospital, fábrica, escola, família. A família é um "interior" em crise, como todos os interiores, escolares, profissionais, etc. Os ministros competentes não deixaram de anunciar reformas supostamente necessárias. Reformar a escola, reformar a indústria, o hospital, o exército, a prisão; mas todos sabem que estas instituições estarão extintas, a um prazo mais ou menos curto. Trata-se apenas de administrar sua agonia e de ocupar as pessoas até a instalação das novas forças que estão batendo à porta.

Gilles Deleuze, o filósofo da multiplicidade,sobre a Sociedade de Controle - Conversações .


--Você vai morrer,Arquibaldo Simplício - gritava Satanás acreditando que eu tivesse sido o responsável pela morte do seu químico o Professor Pardal
--Eu não matei ninguém, pelo contrário.Salvei o bebê de Brendaine, e também tentei salvar o Professor, atirando contra aquele rato amaldiçoado.
--Não me interessa, ninguém morre sem que haja um culpado e o culpado aqui é você. - berrou Satanás apontando um revólver calibre 38 na minha direção.
Naquele instante, que acreditei ser o momento fatídico na minha vida de repórter investigativo,Lúcifer interferiu.
--Deixa que eu mato ele.Ele detonou com a Brendaine, a única pessoa um pouco menos imprestável aqui dentro-sentenciou Lúcifer apontando a sua carabina 12 para a minha cabeça.Era o fim.
Então, como que por milagre, uma mão negra surgiu e ergueu o cano,um pipoco animal foi disparado contra o teto, um banho de pó, teias de aranha,reboco e madeira apodrecida caiu na minha cabeça.Era Pedro Pedra, o poeta das ruas.
--Você criou as leis, você deve respeitá-las, Lúcio- disse o gigante negro num tom firme, ainda segurando o cano da carabina.Lúcio Ferreira fazia força mas não conseguia soltar a arma.
Lúcifer tentou então algo improvável para alguém que parecia ser tão dependente de uma arma de fogo:desferiu um direto de direita no abdome de Pedro,e todos puderam ouvir um som semelhante a uma caibro sendo golpeado contra uma parede de aço.Lúcifer gemeu baixinho olhando com os olhos injetados de sangue para o impassível Pedro.Pedro duro como pedra.Pedro Pedra Preta.
--A arena.Quando paira dúvida sobre um crime na Pensão, ou quando há apenas desavenças e discórdias, a arena é a opção.Mas exijo quatro semanas de treinamento, porque o magricela aí não aguenta nada.
--Recusado, ou o confronto é adiado ou...
--Ou?-indagou Pedro com um olhar cínico que percorreu todos em volta,que observavam com as portas entreabertas ao nosso espetáculo-Ou eu posso substituir o Arqui.
--Tudo bem, quatro semanas de treinamento e até lá o magricela fica longe de encrencas ou morre.- concordou Lúcifer, temendo um confronto com o poeta negro,e me condenando ao maior desafio da minha vida.
Lúcifer, Satanás e Pedro Pedra Preta ficaram se olhando por mais um instante,como se tivessem querendo medir força com os olhares,ver quem fraquejava primeiro.A peleja de olhares congelantes terminou empatada e todos seguiram para os seus quartos.
--E você, Arquibaldo,começa a treinar amanhã cedo.-disse Pedro,num tom que não permitia uma resposta negativa.

Ai-meu-Deus.
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