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Pensão da Solidão 10 - Morte no Porão

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Pensão da Solidão 10 - Morte no Porão

"Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta."
Carl Young

"Quem vai lá fora vive um sonho, quem vem para dentro desperta."
Gregory Grimaud

A sete palmos enterram os seus mortos.
A sete chaves guardam os seus segredos.
Pobres homens: então não sabem?
A vida continua no infinito.
E não há segredos
Aos olhos que enxergam o invisível.

Nêmesis


Os homens se evitavam [...] parentes se distanciavam, irmão era esquecido por irmão, muitas vezes o marido pela mulher; ah, e o que é pior e difícil de acreditar, pais e mães houve que abandonaram os filhos à sua sorte, sem cuidar deles e visitá-los, como se fossem estranhos.[...]O pai abandonava o filho, a mulher ao marido, o irmão ao irmão, porque esta enfermidade parecia atacar o ânimo e a vista.

Agnolo di Tura - Cronaca senese, séc. XIV.Sobre a Peste negra


Liguei para a minha mulher, depois de passar um e-mail com a foto da masmorra onde dormia.Contei sobre o rato chamado Belzebu que tinha comido o meu dedo e levado a aliança, e sobre Lúcifer e o absinto.Ela não reagiu muito bem.Uma semana depois ela terminaria o casamento comigo.Duas semanas depois um colega me mandava uma foto dela com o meu melhor amigo.O fim do amor, o fim da fidelidade, o fim da amizade,tudo me fora levado embora quando Belzebu me roubou a Aliança.Eu fui condenado à solidão.A Pensão da Solidão, a embaixada do inferno na Terra.Eu desejava vingança, contra tudo e todos naquela maldita pensão.
Mas o desejo de vingança não era exclusividade minha.O Professor Ataliba e o Pardal deram-me uma estranha pistola.

--O que é isso-perguntei reparando que a arma parecia uma pistola dágua.
--É uma pistola de ácido sulfúrico.Se ficar diante da fera, dispara e corre.-explicou o Professor Pardal,com a sua cara de louco, o corpo franzino e o olhar doentio.
A origem mais provável daquela aberração roedora era a anomalia genética, apesar de acreditar que realmente Belzebu deva ter se alimentado dos suplementos alimentares para hipertrofia e dos hormônios do Joselino.Joselino hoje em dia é conhecido como traveco.O traveco outrora fora um mister universo, o primeiro do Brasil, mas o narcisismo o tornou tão obcecado pela sua auto-imagem que ele se transformou num grandessíssimo homossexual.Reza a lenda que durante um evento, Joselino se deparou com um sósia perfeito,semelhante a ponto de poder ser um irmão gêmeo, porém do sexo feminino, ou pelo menos aparentava ser.Tratava-se de um traveco, cujo fascínio fez Joselino largar os hormônios masculinos e injetar os femininos.Por muitos anos a dupla fez sucesso na noite, até que Joselino adoeceu pois o organismo não suportou se transformar de mister marombado para libélula da noite,e assim ele veio parar na Pensão.Após tentativas frustradas de retomar o físico de outrora, o traveco esqueceu suas bombas e venenos para hipertrofia no armário e Belzebu foi devorando tudo aos poucos.
Nunca me esquecerei do meu último confronto com aquele rato no porão escuro da Pensão.
--Quiiiiiiiiiiiii...-chiava e guinchava o maldito rato dos infernos.
Ele veio correndo na minha direção, como um monstro de filme de terror.Eu disparava os dados de ácido sulfúrico e ele continuava vindo.
Então o Professor Eugênio Prates, isto é, Pardal, empurrou-me para longe e gritando como um louco efetuou vários disparos desastrados com a pistola de ar comprimido.Os dardos com ácido erraram o alvo, acertaram uma viga de sustentação e o teto desabou sobre o Professor e o Belzebu.Com o peso da alvenaria, da madeira e do rato, o chão desabou o os dois caíram.Foi então que descobri, a Pensão da Solidão fora contruída sobre uma grande caverna,que daquele dia em diante seria a sepultura de ambos, ou pelo menos eu acreditava nisso.
Eu percorria os corredores do porão em busca do Ataliba,quando me deparei com uma sala, onde havia um catre de alvenaria, sobre o qual jazia um corpo, aberto da garganta até a virilha.A cena me deixou chocado, ou melhor,em estado de choque.O interior do corpo estava totalmente preenchido com rosas vermelhas belíssimas e ao seu lado havia um bebê, enrolado num tecido branco e cheirando a óleo de rosas.
Tomei coragem, me aproximei do corpo para pegar o bebê e dei uma olhada no cadáver.Para meu horror mais absoluto e inominável, vi que era a doce enfermeira de olhos verdes que um dia quis ser médica:Brendaine estava morta, e possivelmente grávida,já que tudo parecia indicar que o assasino operara uma cesariana mortal em Brendaine, retirando o bebê ileso.
Subi as escadarias correndo e gritando, deixando o Ataliba para trás.Aquela noite de terror, apesar de parecer ter sido coroada com a vitória sobre o inimigo e com o meu heroísmo, acabaria por me deixar marcado como um vilão e me colocar em grande encrenca.


A Peste Negra (ou Peste Bubónica) foi uma epidemia devastadora na Europa do século XIV que se estima ter matado cerca de um terço da população. A maioria dos cientistas acredita que a peste negra foi o resultado da erupção de peste bubónica, uma doença temível que se espalhou de forma pandémica diversas vezes ao longo da história. A praga é causada pela bactéria Yersinia pestis que se espalha através de pulgas com a ajuda de animais como o rato preto (Rattus rattus) — aquilo a que hoje chamamos um rato de esgoto. Por vezes o termo Peste Negra é usado erroneamente para designar pragas ou epidemias originadas por outras bactérias ou vírus.
Epidemia de peste que devastou a Europa em meados do século XIV. Chegou à Europa a partir da China em 1348 e expandiu-se com grande velocidade pela maioria dos países. Seus resultados foram desastrosos.
O bacilo da peste afeta os roedores selvagens e seus parasitas, em especial o rato negro e sua pulga, Xenopsylla cheopis. Um rato doente, portador do bacilo, pode infectar a pulga que se alimenta de seu sangue e, em determinadas condições, esta pode transmitir a doença aos seres humanos. Os historiadores modernos acreditam que foi essa a causa mais comum de expansão da doença.
Há duas formas de peste: a peste bubônica, que afeta os gânglios linfáticos e a peste pneumônica, uma das moléstias mais infecciosas e mortais conhecidas pelo ser humano e que atinge os pulmões. Transmitia-se com facilidade, já que podia ser difundida pela tosse e pelos espirros. Ambas as formas coexistiram.
A epidemia cruzava as fronteiras com facilidade, não só entre diferentes países, mas também entre animais e seres humanos. Não há dúvidas sobre o dramático impacto da peste em 1348-1349. Muitos observadores contemporâneos mostraram-se impressionados ante a devastação humana causada pela doença. Posteriormente, calculou-se que, nas áreas mais afetadas da Europa, mais da metade da população pereceu.
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