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Pensão da Solidão 9 - Homens ou ratos? A caçada a Belzebu

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Pensão da Solidão 9 - Homens ou ratos? A caçada a Belzebu


A solidão é amiga da humanidade.
Vocês abandonam a casa dos pais.
Abandonam os noivos no altar.
Às crianças, na porta de desconhecidos.
À ninhada, na correnteza do rio.
Aos velhos, nos asilos.
À esperança, nas crises.
E à Deus, em seus corações.

Nêmesis


Exorcista- Belzebu, continua, sob as ordens da Santíssima Trindade, do Pai (...) da Imaculada Conceição, sob cujas ordens, hoje, tens de falar!

Belzebu- A Santíssima Virgem estava presente, quando os Apóstolos celebraram a primeira Missa.Depois da Ascenção de Cristo, a Santíssima Virgem participava sempre na Santa Missa celebrada pelos Apóstolos e recebia a Sagrada Comunhão. Preparavam-se durante horas para a Santa Missa. Quem é que precede assim, nos tempos de hoje?
Poucos ou nenhuns. Muitas vezes os Apóstolos preparavam-se dias inteiros só para a celebração de uma Missa. Certa ocasião, a Santíssima Virgem retirou-se durante dez dias para rezar dia e noite. Então foi levada ao Céu e pôde contemplar a Majestade infinita de Deus. Deus, a Santíssima Trindade, ordenou-nos, a nós, lá em baixo, que subissemos do Inferno (aponta primeiro para baixo e depois para cima). Ainda não era a Esfera Celestial perfeita, mas já era uma esfera superior. Fomos obrigados a subir e a contemplar esta criatura, quer o desejássemos, quer não. A Santíssima Trindade obrigou-nos a contemplá-la, na sua majestade, quase perfeita. A sua majestade e esplendor eram maiores do que quando a tinhamos visto anteriormente. A Santíssima Virgem vencera, tinha-nos vencido. Vimo-la revestida de Sol. Seja como for, vimo-la em grande majestade, com a lua a seus pés, isto é, o mundo. O mundo inteiro é significado pela lua, que Ela tem aos pés, e como adversário a serpente, que nos representa a nós.
Como nós suplicamos a Deus! Como nós imploramos à Majestade Divina, que afastasse aquela visão! Até lhe suplicamos que nos precipitasse imediatamente no Inferno, afim de que nos pudessemos afundar nas esferas infernais, de tal modo nos era difícil suportar o seu olhar! Mas Ele não nos deixou partir. Tivemos ainda de suportar uns momentos aquele olhar terrível (solta gemidos cheios de desespero).

Trechos transcritos de um exorcismo,7° EXORCISMO contra Belzebu (Demônio do Coro dos Arcanjos) Exorcismo de 30 de março de 1976




--Socorro, porra!-eu gritava pelos corredores da pensão.
Estava tão desesperado que não reparara que já havia algumas pessoas ao meu lado.O professor Ataliba,Brendaine, o Bicho-Grilo e a Solidão.
--Ele está de volta.- alertou o professor rabugento num tom alarmante.
--Quem, quem, fala que eu vou matar o desgraçado-gritei sem me preocupar com o horário ou com a presença de Lúcifer, que naquela noite estava de plantão na pensão.
--Calma aí.Aqui na pensão só quem mata sou eu, mas com a minha autorização você pode queimar o maldito que fez isso.-
--Foi o tal de Belzebu.- gritei inocentemente, sem saber de que tipo de criatura se tratava.Solidão se benzeu, Ataliba e o Bicho-Grilo se olharam.Brendaine terminara o curativo no meu dedo sem que eu percebesse, eu somente queria saber quem era o Belzebu.
--Bicho, chama o professor Pardal,agora.-ordenou o professor Ataliba ao Bicho-Grilo, que imediatamente saiu correndo pelo corredor.
--Lúcifer, Belzebu, só falta o Satanás, mesmo-berrei
--Não falta não, eu to aqui.E aí Solidão, o que o preiboi aí fez?
--O Belzebu comeu o dedo dele.-disse a Solidão a Satanás, um negro raquítico com cara de figurante de filme brasileiro sobre favelas.Foi fácil deduzir ,se tratava do chefe do tráfico na pensão.Dedução mais fácil foi relacionar Lúcifer com Satanás, e, para completar o triunvirato do mal,só restava saber quem era o tal canibal Belzebu.
Enquanto eu lutava para não entrar novamente em estado de choque no mesmo dia,e pensava o que diria a minha esposa a respeito de um dedo mutilado e uma aliança perdida,chegou o tal Professor Pardal.O indivíduo fazia jus ao nome,tinha aparência de cientista louco.Era o responsável pela qualidade da droga que o Satanás distribuía na pensão,e também era um faz-tudo com QI muito acima da média além de ser grande inventor.
Ele entrou no quarto e olhou para o meu sangue espalhado e rapidamente disse:
--É mesmo o Belzebu e pelas pegadas, está com vinte quilos.
--Pelo amor de Deus,alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui, quem é esse Belzebu que comeu o meu dedo?
Todos se olharam assustados,com receio de responder.
--Belzebu é um rato monstruoso, uma anomalia voraz, dez vezes maior do que um rato normal.Tem uma longevidade fora do comum,provavelmente está com quinze anos de idade.Já matou duas pessoas, sendo uma um pobre bebê.Mutilou 3 hóspedes da pensão, exterminou centenas de ratos, um gato e um cão.Um detalhe importante, o cão era um pitbull terrier.Ele é caolho,porque cinco anos atrás o Lúcifer, para se salvar, conseguiu acertar um disparo de revólver calibre 38.Está desaparecido há três anos, mas alguma coisa o trouxe de volta.
As pessoas me olharam com um olhar reprovador, como se eu fosse culpado por alguma coisa.
--Olhem-alertou o Professor Pardal - as pegadas de sangue seguem até o porão.Eu,o doutor Ataliba e o senhor Bicho-Grilo temos razões de sobra para querermos o rato morto. Então, quem mais se habilita a empreender uma implacável caçada ao roedor dos infernos?
As pessoas começaram a ir embora, exceto o Bicho-Grilo, eu, os dois professores e por último Lúcifer com a sua inseparável carabina,olhando para nós e dizendo:
--Cuidado dessa vez pra não matar ninguém durante a caçada .Nem destruam nada.- e tendo dito isso,também foi dormir.
Mais tarde, depois de tomar três goles de Absinto, nos reunimos no quarto/laboratório do Professor Pardal, que na verdade se tratava de três suítes com as paredes derrubadas, um tipo de loft onde se montou um laboratório para testes de drogas.
--E se não for Belzebu, e se for outro rato, afinal estamos num bairro próximo à favela, que faz divisa com três outros bairros, dois pobres e um de ricos.São dez milhões de pessoas, quantos ratos podem existir aqui?
--Vinte vezes mais.Mas Belzebu não é um rato qualquer, é um campeão.O problema maior é se ele se reproduzir.A população humana deste conglomerado urbano é de 10 milhões de habitantes e a de ratos está estimada em 200 milhões. Admitindo-se que ambas as populações cresçam em progressão geométrica, de modo que a humana dobre a cada 20 anos e a de ratos dobre a cada ano, dentro de 10 anos quantos ratos haverá por habitante?
--Eu e o professor Ataliba nos olhamos, dois homens de humanas, ruins em exatas e permanecemos calados.
--Depois de 10 anos, teremos 14482 ratos por humano! Multipliquem esse número por 15 milhões e teremos a população de ratos.Se um por cento desses ratos forem descendentes de Belzebu, será necessário que se use armas nucleares para exterminar as feras.

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