Areias ao Vento
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Pensão da solidão 2 - a porta principal

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Pensão da Solidão 2 - A porta principal

Solidão - um é pouco
Relação - dois é bom
Traição - três é demais


O meu nome é Arquibaldo Simplício , eu sou jornalista do hebdomadário Notícias do Povo e este texto é um rascunho para o livro Pensão da Solidão. Irei omitir o endereço desta peculiar pensão , assim como se protege - usando apenas as iniciais do nome - a privacidade e a identidade uma pessoa que deseja ou precisa ficar encoberta pelo anonimato ( como um menor de idade, por exemplo) aliás eu não me chamo Arquibaldo Simplício, é um pseudônimo, ainda bem. A razão do anonimato e da imprecisão é simples: alguns moradores jamais poderão sair daquele lugar e o assédio da imprensa escrita falada e televisada os deixaria mais loucos e paranóicos do que já são.


Algures - em algum lugar
Alhures -noutro lugar
Nenhures - em nenhum lugar


A pensão da solidão fica em algures, numa rua chamada Doutor Beltrano que sai de um beco num bairro de classe A e paradoxalmente desemboca num bairro miserável que por sua vez faz divisa com a favela.

Fulano - alguém sem nome
Beltrano -ninguém
Sicrano - nenhuma pessoa


O meu objetivo indo ali era coletar dados a respeito da vida de Noberto Figueira para uma matéria. Um X-9 tinha me informado que o figueira morara naquele lugar antes de morrer, também conhecido como Mansão do Crack, A Casa Maldita, Castelo do Inferno e outros nomes. Difícil era confiar naquele informante, que entre outras coisas disse que Noberto fora um nonato e por isso amaldiçoado por toda a vida.

Nonato -criança tirada do ventre depois que a mãe morreu.
Temporão - quem nasce fora do tempo desejado
Caçula - o filho mais moço


A história daquela casa era interessante, fora uma mansão art nouveau na virada do século XIX,onde uma artista revolucionária morara. Dizem que era solteirona e abusava da liberdade, vivendo em libertinagem. Por alguma razão a casa se incendiou matando a sua dona e alguns visitantes e ficou semi - destruída até a primeira década do século XX. Dizem que três gerações de mendigos moraram lá até que foi comprada e reformada, servindo como hospital,manicômio,asilo,e retiro de religiosos antes de se tornar um puteiro imundo. Eu li num livro esotérico barato com páginas de papel-jornal que existem três tipos de mal:o que vem da liberdade, o que vem da decadência e degeneração e o que vem das crias deformadas,da criação mal-sucedida.Então a Pensão era um grande centro do Mal, onde a libertinagem , a sujeira decadente e os deficientes e deformados se reuniam.

Lúcifer - o mal vem do belo
Satanás -o mal vem do poder
Demônio - o mal vem dos erros


A pensão já foi lupanar, nosocômio e manicômio,já foi uma casa de artistas, já foi um templo.Se em algum lugar da Terra tivesse que existir uma entrada para o Inferno, teria que ser ali na Pensão da Solidão.

Peguei a minha única mala,dentro um exemplar de Diário de um Detento no Inferno - a biografia não-autorizada de Noberto Figueira,e transpus as portas do inferno.


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