Areias ao Vento
Sobretudo sobre o nada da existência arte,filosofia,e ciência; sobre tudo e sobre nada:do oculto e da sapiência

Plágio ou inspiração?

Algo me irritou profundamente hoje, apesar de que já era de se esperar.Trata-se do texto abaixo, do grupo literarte, do qual eu participo como observador. Obviamente um plágio de um texto meu, que fizeram porque obtiveram o texto de duas prováveis fontes: ou através da internet, ou através de cartas à Raelis. Compare-os


Mensagem: 2
Data: Tue, 16 Sep 2003 14:26:40 -0300
De: "Patricia Santos"
Assunto: Suruba Silábica


Muito bom...


Pat ("Eu que já não quero mais ser um vencedor, levo a vida devagar pra
não faltar amor" - Marcelo Camelo) www.onzedias.blogger.com.br
ICQ: 225719398


Suruba silábica


Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele
artigo se encontravam no elevador.


Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com
alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo
era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas
com um maravilhoso predicado nominal.


Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário
dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem,
fanático por leituras e filmes ortográficos.


O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos,
num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa
oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.


O artigo feminino deixou as reticências de lado, e
permitiu esse pequeno índice.


De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro:
ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar
alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre
parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só
que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do
substantivo.


Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela
em seu aposto.


Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio,
ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa.
Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo
para ela.


Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele
começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi
usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a
um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar
num transitivo direto.


Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e
ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa
pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria
entre os dois.


Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda
era vírgula: ele não perdeu o ritmo e sugeriu um longo
ditongo oral, e quem sabe, talvez, uma ou outra soletrada em
seu apóstrofo.


É claro que ela se deixou levar por essas palavras,
estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o
comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz
ativa.


Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele
foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa
próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia
tomando conta dela inteira. Estavam na posição de primeira e
segunda pessoas do singular, ela era um perfeito agente da
passiva, ele, todo paroxítono, sentindo o pronome do seu
grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.


Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo
auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou
dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram
gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e
exclamativas.


Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica,
ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus
advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se
olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por
todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou
o seu adjunto adnominal.


Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem
comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando
dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo
do sujeito apontado para seus objetos.


Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo
do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma
mesóclise-à-trois.


Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um
ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e
culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.


O substantivo, vendo que poderia se transformar num
artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo,
resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo
auxiliar pelo seu conectivo, jogou pela janela, e voltou ao
seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o
artigo feminino colocado em conjunção coordenativa
conclusiva.


autor desconhecido


versus



O verbo que brigou com a gramática


Você é a minha metáfora de amor... dentro da qual quero ficar elíptico sob os lençóis ,fazendo silepses de gêneros num pleonasmo vicioso repleto de hipérboles até que suspires os seus zeugmas saciada.
É polissíndeto,eu sei mas insisto: você é a minha alegoria, mesmo quando se perde em anacolutos e anástrofes fúteis, confundindo-se em hipérbatos. Contigo eu jamais cometeria uma sinédoque, mesmo que contra mim cometas uma metonímia em um momento de interrogação qualquer em que uma comparação entre mim e outro torne-me um eufemismo .
É hipérbole, dizes, mas o que posso fazer se é o que sinto na gradação dos dias que passamos juntos? Eu exclamo que a amo e você acha ironia e me ataca com antíteses que resultam em convenientes catacreses.
Quando eu lhe presentei com prosopopéias para alegrarem os seus dias,você agradeceu com doces perífrases e antonomáias, que no entanto não me iludiram...havia algo de barbarismo no que você dizia, uma cacoépia quase imperceptível denunciou que um estrangeirismo ameaçava a nossa sintaxe. Mas por você, eu suporto qualquer hibridismo, eu aceito até um solecismo ;dane-se o que dizem os outros, eles são apenas plebeísmos que só vêem ambigüidade e cacófatos pleonásmicos em tudo.
Desculpe aquela colisão no pretérito imperfeito, mas os meus afixos não são de aço e o hiato daquele italianismo me fez perder a cabeça... e afinal, o que é pretérito é pretérito.
Enfim, Gramática, espero que me perdoe e não me julgue irregular e possamos continuar produzindo o nosso eco por muitos anos...


Sinceramente,
Verbo.


Gregory Grimaud


Sugiro uma leitura deste link abaixo, onde estão publicados alguns textos meus. Parece que o texto suruba silábica se assemelha muito com o Verbo que brigou com a gramática, de minha autoria, que alguém encontrou por estranha coincidência no mesmo blog onde está um texto meu inspirado no texto de Fabio Caim, membro do literarte, veja...


http://quatro_ventos.blogger.com.br/2003_05_04_archive.html




Esse texto foi publicado simultaneamente no Tempestade de Areia, Areias ao Vento e no Aos 4 Ventos.

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