Areias ao Vento
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Intertextualidade e plágio.


Intertextualidade e plágio.



"A palavra não é um objeto, mas um meio constantemente ativo, constantemente mutável de comunicação dialógica. Ela nunca basta a uma consciência, a uma voz. Sua vida está na passagem de boca em boca, de um contexto para outro, de um grupo social para outro, de uma geração para outra. Nesse processo ela não perde o seu caminho nem pode liberta-se até o fim do poder daqueles contextos concretos que integrou."
(Mikail Bakhtin)



Há no plágio algo de bruto, como no estupro: toma-se de você a sua intimidade sem o consentimento. Você não recebe nada em troca e os frutos de tal relação forçada são malditos, são bastardos.
Assim como o sangue e outros fluidos corpóreos, o texto tem um código que identifica o seu proprietário; no caso dos fluidos corpóreos, o código de identificação é o DNA, no caso de um texto é o estilo. O estilo, mais do que identificar o autor, ele o denuncia. Assim como o DNA, que indica tanto a paternidade quanto a maternidade, o estilo denuncia o autor do texto atual e o autor do texto original. Ambas as características são visíveis e identificáveis através da membrana do estilo.

Apenas os tolos acham que podem imitar sem serem descobertos.

A literatura vive de citações, alusões, referências a outros textos.A denominação usual para isto é intertextualidade.
O termo intertextualidade foi desenvolvido por Júlia Kristeva. Segundo a teórica, "qualquer texto se constrói como um mosaico de citações e é absorção e transformação de um outro texto. Tal apropriação pode-se dar desde a simples vinculação a um gênero, até a retomada explícita de um determinado texto."(Apud Intertextualidade: teoria e prática de Graça Paulino, Ivete Walty e Maria Zilda: 21-2). Há três processos de expressão de intertextualidade: alusão, citação e estilização.

Há duas maneiras, tecnicamente falando, de se fazer referências a outros textos: academicamente, usando as normas da ABNT e; literariamente, citando entre parênteses, ou num parágrafo no final do texto, etc.

O problema é que alguns escritores (se é que merecem este título) inexperientes e inescrupulosos acreditam que se se basearem na obra de algum escritor experimentado e consagrado produzirão textos com maior chance de serem aceitos. Assim, por medo de rejeição, omitem a fonte do texto.

Apesar de desconhecerem, é fato que citacionismo, intertextualidade são tão comuns na literatura quanto a intericonicidade é comum na pintura. Nos romances isto também acontece: Mikhail Bakhtin em seu livro A pessoa que fala no romance defende a caracterização do romance moderno como dialógico, isto é, como um tipo de texto em que as diversas vozes da sociedade estão presentes e se entrecruzam, relativizando o poder de uma única voz condutora na ficção.

De fato, para Kristeva, o processo de produtividade, seja do texto literário, seja do trabalho plástico, é definido enquanto absorção e transformação de outros textos.

Existe ainda outro fenômeno, a interdiscursividade, que é o processo em que se incorporam percursos temáticos e/ou percursos figurativos, temas e/ou figuras de um discurso em outro. A interdiscursividade é o cabedal de conhecimento contido na nossa memória, como os elementos do ideário e do universo simbólico, enfim, elementos culturais que possibilitam a compreensão da "mensagem" subliminar. Há dois processos de expressão da interdiscursividade? que são muito semelhantes aos processos da intertextualidade, entretanto, não aparecem explicitamente no texto: a citação: e a alusão.

Portanto, não há nada de mais em utilizar textos alheios, pelo contrário, esse é um processo normal na Galáxia de Gutenberg (do livro homônimo, de Marshall McLuhan).

Para exemplificar, basta lembrar que Romeu e Julieta, tido como um dos maiores livros do segundo Milênio, a primeira grande obra de William Shakespeare (considerado por muitos como o maior escritor da história) foi a transformação de um poema narrativo de Arthur Brooke na maior tragédia de amor de todos os tempos. Romeu e Julieta é, portanto, um intertexto maior , mais belo e tecnicamente melhor do que o seu texto originário.
O que se aplica ao caso de Romeu e Julieta é um paradigma que serve para qualquer produção literária: com talento, conhecimento e esforço é possível e lícito confeccionar obras baseadas em outras obras e fazê-las melhor do que o original.É lícito desde que se cite a fonte.Se esse paradigma serviu a Shakespeare, servirá a qualquer escritor frustrado ou medíocre Quando não se o faz, está caracterizado o plágio.

Uma definição simples de plágio, seria esta: "Plágio: imitar obra alheia; apresentar trabalho intelectual como se fosse seu", crime previsto no Código Penal Artigo 184: " violar direito autoral. Pena: detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa."

É claro, a maioria das minhas obras publicadas na internet são apenas trechos, fragmentos, excetos de obras maiores e melhores, devidamente protegidas por direitos autorais.

Na internet, não é necessário seguir as normas da ABNT para citações, tampouco as regras literárias para referências, graças à hipertextualidade. O hipertexto é a ligação de um texto da web a outro através de um hiperlink. Nos recentes casos de plágios a textos meus, por exemplo, bastariam hiperlinks levando aos meus textos, que estaria resolvido o problema.Tal recurso, eu mesmo usei no parágrafo acima para mostrar a origem da definição de plágio que utilizei. Não fazendo uso deste novo recurso, estes escritores inexperientes e inescrupulosos se mostram ignorantes em matéria de internet e produzem textos ilícitos.

Novamente, tudo bem, a internet é a terra dos "autores desconhecidos" que "assinam" muitos textos que são na verdade citações literais ou deturpações grosseiras.A web também é a terra do plágio descarado, e nela até mesmo há quem reclame a autoria da invenção dos hiperlinks .
Para evitar que eu próprio seja vítima desses golpes cruéis de escritores inexperientes, inescrupulosos e ignorantes, adoto a partir de agora a alcunha (no mundo real), o nickname( no mundo virtual) e o pseudônimo( no mundo literário), de autor desconhecido deste texto.

Desta maneira, subscrevo-me:

Autor desconhecido.

ou

Gregory Grimaud

fonte: email a Raelis.
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