Areias ao Vento
Sobretudo sobre o nada da existência arte,filosofia,e ciência; sobre tudo e sobre nada:do oculto e da sapiência
Noberto achava que tinha a cabeça dura...mas uma bala lhe provou que não era bem assim


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-- Sim, Noberto Figueira. Eu sou o Demônio, aquele que você tanto quis encontrar.

-- Eu??? - disse Noberto em pânico - Eu não quis ver você .E como você pode estar em dois lugares ao mesmo tempo?
-- Onipresença!Tem mesmo certeza que não quis me encontrar? Você não é aquele traficante que acreditava em vida ter nervos de aço; a cabeça dura; o coração de pedra; que tinha estômago forte ; que o seu sangue era quente; um homem de língua ferina; detentor de um fôlego de gato...
-- S-sim - tartamudeou Figueira.
-- Pois bem, você é o covarde que foi incapaz de se dedicar inteiramente ao mal. Intimamente buscava uma vingança pessoal mas a síndrome de munchausen o impedia. Você levou o Mal aonde pôde, até onde pôde. Sempre, em pensamento, atribuía o Mal que perpetrava a mim; era mais fácil para você, como ser humano, atribuir a uma entidade abstrata e distante a responsabilidade pelo mal; mas a verdade , que residia em seu âmago protegida por sua cabeça dura, era que você apenas repercutia o mal que lhe infligiram, como um eco de dor nas montanhas.

Mas então alguém sussurrou no ouvido dos dois:
Cala, boca que fala.Cala agora, antes que seja tarde.Palavras não são cordas mas podem enforcar.
Palavras não são celas, mas podem nos prender.Palavras não são contratos, mas podem nos comprometer.O que sai da sua boca, não é saliva:é enxofre puro!

E o Demônio se foi ...

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