Quinta-feira, Maio 23, 2002

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Sobre a série Arquétipos urbanos:

O que me motivou a escrever a série Arquétipos urbanos foi o próprio desconhecimento destes tipos básicos, dos quais todos nós somos uma mistura, que se atropelam e acotovelam pelas cidades do mundo. A série é um guia para tudo o que escrevi e escreverei a seguir, e pelo visto está agradando aos blogueiros de maior valor e respeitabilidade como a Débora do blog Expressões Letradas que me enviou um doce e poético e-mail, como ela própria é doce e poética. A você, débora, eu dedico mais um Arquétipo urbano ( e tomara que você nunca se depare com ele!)

Série de quadrinhos Creeps


Cuidado, à qualquer momento você pode se deparar com um Arquétipo urbano e não saber como lidar com ele




símbolo = arquétipo = mito

Arquétipo urbano 8: ladrão

São os gatunos, os batedores de carteira, os assaltantes de bancos, e os ladrões de colarinho branco:aqueles que abastecem os noticiários policiais.


descrição
Você não os vê até que seja tarde demais. Camaleões, especialistas em camuflagem, disfarce e ocultamento,eles se parecem com todos e ao mesmo tempo com ninguém. Variam a maneira de agir e de se vestir.Porém, se você teme o típico ladrão à "mão armada", saiba que ele é o menos temível .O pior é o ladrão banqueiro, o ladrão empresário, o ladrão político : o ladrão de colarinho branco, disfarçado de arquétipo de executivo. São esses os verdadeiros ladrões, que aumentam a pobreza do país enquanto enriquecem. Eles são os pais de todos os ladrões, as matrizes arquetípicas de ladrões que geram todos os outros.

habitat: a Câmara, o Parlamento, o Palácio do Planalto, a Prefeitura, as ruas, o mundo
aparência: todas e nenhuma
marcas e sinais: ex-presidiários têm a marca de cada mulher amada tatuada pelo corpo, cicatrizes de estiletes e tiros. Bandidos do colarinho branco têm marcas tipo: Mercedes,Ferrari. Rolex,Havana, Ray Ban, Kenzo, Cartier, etc.
utilidade: os ladrões comuns tiram de quem tem e dão a quem não tem; os ladrões do colarinho branco tiram de quem não tem e dão a quem tem. Servem para nos conscientizarmos de que o capitalismo não é um sistema justo
periculosidade:extrema, podem até matá-lo
modus operandi: seguem um plano mais ou menos elaborado, agem de surpresa e tiram os seus bens materias, do menos ao mais precioso ( a vida)

objetos e armas: armas de fogo(ladrões comuns), caneta Mont blanc(ladrões de colarinho branco)
nome científico: molaestiae socialis

Amanhã, o Arquétipo do playboy


Se alguém se habilitar, mande-me uma caricatura, desenho, ilustração, charge do ladrão, que publicarei aqui


Quarta-feira, Maio 22, 2002

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Normal e anormal: ou justificativas sem(com) método [ou/e] sem(com) razão para ser quem [e] (como) eu sou



Muitas pessoas me perguntam como consigo escrever 20 páginas de material científico em duas horas, ou ler e resumir 3 livros em uma semana , trabalhar, estudar, fazer academia, abastecer o meu weblog diariamente com um volume de informações que beira o dobro dos outros(sem querer menosprezar ninguém, pelo contrário*) aqui vão as razões:





1. Eu tenho leitura dinâmica. Tenho, mas não pratico as técnicas falsas quem ensinam por aí;
2. Eu escrevo manuscritos na mesma velocidade que algumas pessoas falam;
2.1. Isto significa que a minha caligrafia é uma teratografia formada por garatujas ininteligéveis;
3. Quando estou realmente escrevendo( não isto aqui que é o mesmo que falar) passo dois dias seguidos num estado de consciência alterada e sem tomar banho;
3.1. Isso não significa que eu não goste de tomar banho, se Cristo passou quarenta dias no deserto, dois não é muito...
3.1.1. Nem sempre escrever muito é sinônimo, sinal ou indício, de escrever bem;
3.1.2. Mas, paradoxalmente, se alguém quiser escrever bem é preciso escrever muito para se chegar lá(ou aqui);
4. É muito fácil ler e resumir livros mesmo científicos para alguém que passava o dia inteiro na bilbioteca copiando livros;
4.1. Isto significa que sou um bibliófilo - hermeneuta - esquipático - solitário;
4.1.1. Eu disse solitário, e não solidário. Os termos são binômios opositores;
4.2. Também é verdade que sofro de boemia compulsiva;
4.2.1.Eu disse boemia compulsiva, e não insônia;
5. Tudo isto significa que não tenho namorada, alguém se habilita a namorar com um pergaminho em escrita hierática ambulante? Decifra-me que devoro-te;
6. As idéias me perseguem: a história do Dr. Albineri e Edina foi ditada por alguém que não sei quem é após um sonho matinal;
6.1.Isso mesmo, amanheço com histórias inteiras na cabeça;
6.1.1. E isso não significa que eu seja louco. Pois louco é quem me diz, que não é feliz, não é feliz;
6.2. Desconfio de quem não amanhece com histórias nas cabeça: contamos ao menos quatro histórias a nós mesmos toda a noite(os sonhos);
6.2.1. Quem não se lembra dos seus sonhos é porque tem coisas a esconder de si mesmo;
6.2.2. Eu sempre me lembro dos meus sonhos;
7. Dizem que sou paradoxal, mas eu afirmo que não sou. Dizem que sou uma antítese capenga. Eu afirmo que não sou. Dizem que sou uma contradição evidente, ou uma evidencia de contradição. Eu afirmo que não sou;
7.1. Todos temos corpo e mente. Por que não trabalhar os dois?
7.1.1. Sim, eu sei. É muito cansativo. Demorei muito para conciliar a musculação com Dostoiévski mas aqui estou:
7.1.2. 1,87, 96kg de músculos e letras;
7.2. Demorou mas aqui estou com os músculos letrados e as letras anabolizadas;
8. Alguém aí se perguntou o motivo de eu estar escrevendo em tópicos numerados conforme as normas de Metodologia para o trabalho científico da ABNT?
8.1. Por que eles acham que o cartesianismo é a melhor maneira de se expor racionamente as idéias. Já imaginou, você se levantando cedo e virando para a sua mulher:
8.1.1. "Introdução: sobre o diálogo conjugal matinal. Justificativa: Amor, eu tenho três coisas a lhe dizer nesta manhã, que são o objeto do meu colóquio matinal.1. Bom dia; 1.1. Dormiu bem?; 1.2. Cadê o jornal? Pretendo fazer isso com o objetivo de iniciar bem o dia, e para esta finalidade usarei uma linguagem coloquial e amena . Capítulo 1: como começar bem o dia. Capítulo 2: a importância do bom humor matinal. Capítulo 3: a leitura do jornal como desculpa esfarrapada para não conversar com a esposa no desjejum. Conclusão: 75% das assinaturas de jornal são motivadas pelo álibi perfeito que a leitura do jornal dá para cônjuges mal-humorados no período matinal não conversarem com os companheiros. Bibliografia: SOLTEIRO,José. Você está lendo o jornal de ponta cabeça! Editora Casa da Sogra, Arraial dos Solteiros, 1901.
9. Tudo isto para dizer, normas não servem para escrever crônicas, normas não servem para escrever diários, normas não servem a nada a ninguém além das elites sequiosas de perpetrarem e perpetuarem o seu domínio histórico e histérico sobre tudo e todos, especialmente sobre os intelectuais. Pense nisso: Shakespeare escreveu qundo não havia ainda o dicionário Oxford; René Descartes e Isaac Newton, os supostos responsáveis por essa miséria intectual consubstanciada na metodologia, revolucionaram a ciência sem metodologias diatadas a eles, e sim ditadas por eles;
10. Assim, concluo , partindo do particular para o geral, que perdemos mais tempo adequando a nossa produção científica à normatização arbitrária cartesiana racionalista do que desenvolvendo e expondo as idéias que poderiam revolucionar o conhecimento; a morosidade não é por acaso, ela favorece as elites, que ditaram as regras.



PS: EU ESCREVO O QUE EU QUISER E COMO EU QUISER E UM DIA EU DITAREI AS REGRAS.


* Alguns blogs como o Rompe - Nuvem escrevem muito bem em poucas palavras. Este é o gênero literário denominado EPIGRAMA

Terça-feira, Maio 21, 2002

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É domingo. Edina, a fiel esposa do renomado doutor Albineri - que secretamente clonou um rapaz rico - decide ,não se sabe por que cargas d'água, visitar a renomada clínica de pesquisas genéticas do casal para ver se as coisas estão arrumadinhas. Chegando lá, ela se depara com o seu marido Albineri cercado de réplicas de Edina só que vinte anos mais novas:

-- Albineri, o que é isso? - berrou, indignada - você mal dá conta de mim, como pôde fazer cinco réplicas minhas?
Pêgo de surpresa pela visão da versão senil de Edina, Albineri inventa logo uma desculpa valendo-se do seu renomado gênio científico.
-- Ora, Edina, eu não dou conta de você porque estou sempre...com vocês - e riu cinicamente
-- Por isso que você gasta tanto com viagra mas o retorno para mim é zero.Traidor!
-- Ora, Edina, não fique nervosa. Eu não estou traindo você, afinal,estou com você. Aliás, com cinco vocês.Digam oi pra mamãe, meninas:
-- Ooooiiiiiiiii- gritaram as meninas em uníssono- Edina olhou-as estupefacta, com os olhos lacrimejantes.
Uma das suas réplicas fitou-a de soslaio e bufou:
-- Será que nós vamos ficar feias e velhas como ela?
-- Isso é um absurdo, Albineri, agora chega. Eu não vou mais acobertar ou ser cumplice dos seus delírios, vou denunciá-lo à polícia.
-- Ora, não faça isso, Edina, tudo o que fiz foi por amor! Segurem-na, meninas- ordenou o doutor e foi prontamente obedecido.
Uma luta desigual se iniciou, mas a Edina, veterana, se vale dos conhecimentos adquiridos no laboratório e joga nitrogênio líquido numa das suas réplicas, e ela imediatamente vira uma estátua de gelo.
-- Nãaao, pobrezinha!- chora Albineri ao ver Edina chutar a sua sósia e quebrá-la em mil pedacinhos.
Depois disso, cheia de moral ante o pânico das suas cópias, Edina corre e chama a polícia pelo seu celular.

Minutos depois, a polícia chega e leva Albineri algemado. Edina lança um último olhar de ódio para o marido . Albineri olha-a com um ultimo renomado olhar resignado ou resignado olhar renomado, ou...você entendeu. E balbucia:
--Ora, Edina ...

Do alto de um prédio vizinho, Albineri 32 observa tudo do seu renomado binóculos.
--Deu certo, 45. Agora eu vou passar o resto da minha vida numa ilha grega com o clone que farei da Liv Tyler, à partir de um fio de cabelo, ou coisa parecida, que tenho nesta lâmina. Enquanto isso, você toma o lugar de Albineri 1 , como planejamos.
--Claro, claro 32. Graças ao método de crescimento acelerado desenvolvido por Albineri, um clone pode ser tornar adulto em poucos dias. O único problema é que sofremos de Síndorme de Matusalém e envelhecemos muito rapidamente, mas eu vou encontar os estudos de Albineri com a cura e salvar todos nós como combinado.
-- Sim, então adeus - despediu-se 32 sem se dar conta de que 45 tirava uma pistola do seu avental branco de renomado cientista.
-- O que significa isso, 45?
-- Só pode existir um!- bradou 32 e atirou na cabeça do 45, espalhando o renomado cérebro pelo telhado do edifício e pegando a lâmina com a amostra das células de Liv Tyler.
-- Você deveria saber que faço parte do fã-clube da Liv.

Súbito, um estrondo e o outro tiro e o 45 também vai ao chão.

-- Só pode existir ummmm! - gritou Albineri 61.

Domingo, Maio 19, 2002

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Fascina-me a poesia sincera da tua vida, ela mesma que tão falsamente suscito eu próprio ao escrever. Preciso aprender a apreender com(o) vocês mulheres a poesia dispersa no ar, ao menos escandindo das suas palavras as rimas de sua idílica felicidade


Este foi o comentário deixado na "Expressões Letradas", uma das dezenas de páginas que têm me linkado. A todos aqueles e aquelas que lêem este humilde velejador de palavras ao vento, o meu obrigado.


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