Sábado, Maio 18, 2002

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Uma internauta , realmente ao meu lado, viu a minha página e ficou interessada em saber o que o logo significa. Talvez achasse que ali não houvesse nenhum significado, apenas significantes fora de contexto. Ou talvez fosse apenas curiosidade, que me prontifiquei a saciar. Da esquerda para a dieita, o logo significa, o que eu vejo, o que eu falo, o que eu escuto, o que eu sinto, o que eu escrevo com as minhas mãos e as mensagens que envio ao vento como quem escreve uma carta contando o que viu, falou, ouviu e sentiu a um destinatário desconhecido e faz dela um avião de papel atirando-a ao vento!



Este logo foi desenvolvido à partir de ilustrações queDave McKean fez para a revista em quadrinhosSandman que tenho completíssima na minha estante!


O título Areias ao Vento descende de uma carta de mesmo nome escrita por mim, Gregory Grimaud, outrora e alhures. Esta carta está no meu blog de cartas Labirinto que você encontra aqui na seção de links de páginas do mesmo autor. Areias ao Vento é o mesmo que jogar Palavras ao vento, o nome da seção de cartas da revista Sandman(homem de areia, literalmente).Coincidências? Não! O template original deste weblog , que ainda o influencia, chama-se Sandbox at Night coincidência?Não. À propósito, Areias(ou terra) e Vento são duas runas vikings muito antigas e idênticas às letras P e B, as iniciais de um dos sete nomes de Gregory Grimaud,etc,etc,etc...


palavras foram perdidas no inferno quando as areias do tempo esvoaçaram da ampulheta quebrada e foram sopradas pelo mesmo vento que dissolveu o castelo de areia onde moravam os meus sonhos , levando assim as bolhas de sabão que continham os mundos que criei em meus devaneios infantis

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símbolo = arquétipo = mito

Arquétipo urbano 7: trabalhador

sãos os trabalhadores, aqueles que constróem o país .


descrição
Eles são os trabalhadores, geralmente braçais, pagadores de impostos e explorados pelos capitalistas. E o problema é que na melhor das hipóteses, continuarão a ser explorados, e na pior serão totalmente substituídos fisicamente por robôs e intectualmente por computadores.

habitat: fábricas e empresas em geral
aparência a maioria usa macacões sujos de óleo, graxa ou algo mais cancerígeno
marcas e sinais: cicatrizes por todo o corpo, ou algum acidente de trabalho pior como um dedo faltando.
utilidade: trabalham dia a dia de sol a sol
periculosidade:fazem greves, piquete, passeatas, manifestações e abaixo-assinados contra os empregadores
modus operandi: vão do trabalho para casa e de casa para o trabalho
objetos e armas: caixa de ferramentas, luvas, crachá
nome científico: operarius brasiliensis

Amanhã, o Arquétipo do ladrão o espera aqui


Se alguém se habilitar, mande-me uma caricatura, desenho, ilustração, charge da doméstica, que publicarei aqui


Sexta-feira, Maio 17, 2002

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Haroldo de Campos - poema concretista -coca

Quinta-feira, Maio 16, 2002

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O despertar da matrix.


Eu escrevo o que eu quiser , ainda que os falsos pretensos mestres da escrita pagos `a soldo da miséria e ignorância que eles proprios fomentam - para não perderem o seu ganha-pão - queiram que eu faça diferente e me alimente da sua excrescência meramente estética como quem nada na superfície de um lago de profundezas belíssimas - mas que nele nunca mergulha porque foi condicionado, viciado a não ir fundo - influenciado justamente por aqueles que vivem da superficialidade. Abutres, urubus sobrevivendo da carniça dos verdadeiros talentos, crápulas inescrupulosos, assassinos do verbo: matam-no sem direito a defesa em conjugações tenebrosas em câmaras de tortura convencionadas , condenadas a se chamarem salas de aula. Eu desdenho dos patos que arranham a superfície de onde eu mergulho, e eu rogo-lhes: não se aproximem de mim ou os afogarei com um vômito profuso de verbos e elocuções adverbiais e orações coordenadas assindéticas para que façam as suas análises de corvos e rirei das aves negras que roubam as idéias plantadas no campo do saber, pois eu sou a ave de rapina que constrói ninhos nas alturas (para caçar as demais) e eles são as aves necrófagas que vivem na carniça de frases podres normatizadas, metodologizadas por seus bicos cartesianos arrancando nacos da carcaça de textos moribundos do que outrora foi o corpo cevado do conhecimento do qual me alimentei faustosamente. Eu rirei com fervor e fúria entrópica tremeluzente dos seus tropeços, e o "eles" são vocês que não sabem escrever, pintores sem perspectiva, poetas sem métrica, escritores sem gramática, escultores sem frisos, maestros sem partituras a viver de frases mimetizadas de idéias estereotipadas, de modelos arquetípicos, de métodos consagrados pelo uso de gabaritos mofados pela saliva do decano desconhecimento doscente que nada cria de novo . Sobre vocês defecarei tudo aquilo que digeri nas minhas entranhas ao longo das eras intestinais pretéritas da imperfeição quando ainda era vítima das suas frases decoradas expelidas de bocas fétidas, com saliva nos cantos, babando as tartamudeantes gotas de saber que foram diluídas pela perfeição do verbo livre da tabuada conjugada e ditada, na minha adolescência, quando nadei no rio da verdade - mais - que - perfeita e desemboquei no mar do futuro , enquanto vocês ainda viviam e vivem de passado. E ali, somente ali, defequei o conteúdo do que digeri e vocês o comeram: um dia comeram as excretas do meu saber! E comerão novamente, pois eu - nós - escrevemos, nós sabemos mergulhar. Venham a mim, arrogantes mestres grandiloqüentes do nado superficial, ao duelo! Embatamos nossos sabres até o fio tênue penetrar na carne frágil e que a contenda se encerre "a primera sangre".



Quarta-feira, Maio 15, 2002

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símbolo = arquétipo = mito

Arquétipo urbano 6: doméstica

aquelas moças e senhoras que trabalham em casas de família .


descrição
Elas podem ter vindo do Nordeste ou serem da sua cidade mesmo. Adoram ouvir radinho de pilha AM, ler (ou ver)fotonovelas românticas, a novela das oito (pode ser uma novelinha tipo dramalhão mexicano de qualquer emissora). Teoricamente a incumbência delas seria cuidar da casa, mas se você não cuidar da sua doméstica , ela pode atear fogo no seu domicílio.


habitat: casas de família
aparênciaalgumas dragões, outras raimundas (as últimas, são as preferidas dos patrões tipo TED)
marcas e sinais: cheiram a perfume barato
utilidade: lavam, passam, cozinham, eventualmente dormem com o patrão.
periculosidade:se alguma cena na novela for muito boa, ou se o pastor radiofônico disser um "ALELUIA!" muito brilhante e inspirado, elas podem se distrair e deixar o ferro de passar queimar uma roupa e iniciar um incêndio. Ou, se o vizinho bonitão tocar a campainha para pedir uma xícara de açúcar, podem ficar dando bola pra ele até a panela de pressão explodir
modus operandi: batem à sua porta perguntando humildemente "precisa de alguém pra trabaiá?" e acabam dominando a sua casa para depois se demitirem e entrarem com um processo na justiça do trabalho.
objetos e armas: radinho de pilha, milhares de pôsteres do Fábio Júnior, Daniel, Bruno e Marrone, etc. Estatueta do Santo Antônio,ou outro qualquer,

nome científico: servas familiaris


Amanhã, o Arquétipo do trabalhador o espera aqui


Se alguém se habilitar, mande-me uma caricatura, desenho, ilustração, charge da doméstica, que publicarei aqui


Terça-feira, Maio 14, 2002

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Eu invoco aos silfos e a todos os espíritos do ar. Eu invoco, com a força do sibilo de uma serpente, eu invoco.
Eu, Gregory Grimaud, sete vezes sábio, sete vezes secreto, eu invoco. Com o sibilar de uma serpente , eu invoco, com o ronronar de um gato preto, eu invoco,com o sopro que apaga a chama de uma vela ao se completar os sete anos, eu invoco. Eu invoco como o último suspiro de um ancião, eu invoco, pela primeira lufada de ar de uma criança, eu invoco, com o ar dos meus pulmões, eu invoco.
Que o mesmo vento que levou a foto das lembranças do nosso coração traga-a de volta.

Eu rogo, eu peço, eu exijo: pelo poder de Metatron,eu rogo, eu peço, eu exijo: pelo poder da Verdade e da Revelação, eu rogo, eu peço, eu exijo!

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símbolo = arquétipo = mito



Arquétipo urbano 5: mendigo

são os maltrapilhos errantes e os indigentes pedintes que perambulam pelas ruas das cidades falando sozinhos .


descrição
Eles são os excluídos das cidades capitalistas. Estatísticas apontam que quanto mais os arquétipos executivos trabalham, mais mendigos são gerados. Eles não têm nome: podem ser qualquer um. Eles não têm casa: podem estar em qualquer lugar ou em lugar algum. Vestem roupas usadas que acabam apodrecendo em seus corpos e assumindo as cores das ruas poluídas: talvez por isso ninguém os veja, ou talvez simplesmente finjam não ver. Eles comem os nossos restos, tirados do lixo; a eles, só resta o resto.

O dia em que ouvi uma estranha conversa entre mendigos

Era um final de tarde de inverno em São Paulo. Eu vestia o meu velho sobretudo preto e vagava pelas ruas dos Jardins, em São Paulo, nas proximidades da livraria Raio Verde, onde eu trabalhava(ou fingia fazê-lo) e pude flagrar um estranho diálogo entre um indigente macho e um indigente fêmea(se são indigentes, por quê não rebaixá-los logo a animais, não?):

--Ô Mauro, voltou das férias?
-- Voltei, sim, Zefa. Sabe como é, tenho carteira assinada...

Restaram apenas interrogações na minha jovem mente de urbanita aprendiz de feiticeiro e mendigo: será que os mendigos tinham carteira assinada, eram sindicalizados, com direito à férias e décimo-terceiro ou simplesmente os dois estavam enlouquecidos pela fome e pela vida nas ruas?

habitat: as ruas.
aparênciapéssima, vestem andrajos imundos fedegosos, puídos e carcomidos; a falta de banho e higiene adoece as sua pele, o sol a queima e enruga; o vento racha-a; a fome os consome e os tranforma em pergaminhos vivos.
marcas e sinais: cicatrizes, machucados, arranhões, doenças de pele, sujeira e fedor.
utilidade: dão milhões em lucro para associações, casas de prece e caridade, igrejas evangélicas, centros, para a Igreja, para os capitalistas e para o Estado.
periculosidade:mostram que a Humanidade não presta auxílio ao próximo, portanto é desumana, portanto não existe enquanto humanidade e acabará se destruindo.
modus operandi: pedem um trocado para a comida e vão comprar pinga
objetos e armas: bordão ou cajado feito de cabo de vassora ou rodo, saco de estopa com bugigangas, garrafa de pinga, eventualmente um alfarrábio escrito em latim, aramaico, francês arcaico ou alguma outra língua do tipo.
nome científico: homus esquecidus

Amanhã, o Arquétipo da doméstica o espera aqui


Se alguém se habilitar, mande-me uma caricatura, desenho, ilustração, charge do mendigo, que publicarei aqui


Segunda-feira, Maio 13, 2002

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símbolo = arquétipo = mito


Arquétipo urbano 4: office boy

aqueles garotos que lotam os fliperamas do centro da cidade mas foram contratados para pagar contas e fazer entregas para a sua empresa, .


descrição
Eles estão do outro lado da na curva do executivo, no outro extremo da parábola. São eles que realmente movimentam uma empresa, mas ninguém os valoriza porque são "de menor"e é o seu primeiro emprego

A experiência como office boy

E lá estava eu há treze anos atrás numa das filas do banco, vestido com trajes sociais, óculos escuros não-espelhados lendo um poket book português de ficção científica.
Recebi o meu salário, pago pela minha irmã, porque eu trabalhava na agência dela. Corri e fui comprar a faca do Rambo, o meu sonho de consumo de protótipo de super-herói.
Em seguida, percorri os sebos do centro em busca de alguma HQ de super-herói e tomei o metrô até em casa.
Definitivamente, não fui um office boy comum.

habitat: fliperamas do centro da cidade, aonde todos vão para torneios de video game financiados com o dinheiro da condução
aparênciacolorida, tênis de marca falsificado (que juram ser verdadeiro), camiseta surfwear ou de jiu-jitsu, boné, óculos de sol espelhados.
marcas e sinais: bigodinho de penugens indecentes.
utilidade: vão ao banco pagar contas das empresas e entregar coisas.
periculosidade:pedem para você guardar lugar na fila do banco e voltam( do fliperama) depois de uma hora quando você já está na boca do caixa e retomam o lugar agradecendo cinicamente
modus operandi: fingem que pegam táxi, vão de buzão ou à pé ou de moto-táxi e assim se capitalizam para jogar fliperama no tempo que supostamente ficaram prezos no trânsito ou em intermináveis filas. Fazem amizadades com os caixas do banco e assim não pegam fila a não ser num banco que nunca tenham ido.Ocasião que pedirão a você o favor de pagar umas continhas para eles, senão perderão o emprego ou coisa que o valha.

objetos e armas: óculos espelhados, envelope ou pastinha,walkman, óculos de sol espelhados.
nome científico: infantus lúdicus


Amanhã, o Arquétipo do mendigo o espera aqui


Se alguém se habilitar, mande-me uma caricatura, desenho, ilustração, charge do executivo, que publicarei aqui


Domingo, Maio 12, 2002

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símbolo = arquétipo = mito


Arquétipo urbano 3: executivo

os engravatados esnobes das cidades grandes.


descrição
O executivo típico pode ser um velho e usar uma pasta do tipo 007, envergando um terno de linho, risca de giz com corte italiano, uma gravata de seda italiana nó "príncipe Charles" com um prendedor de ouro e abotoaduras além de um lenço engomado no bolso do paletó. Os óculos de grau ou de sol podem - ou não- estar presos a uma correntinha (de ouro, claro para combinar com o relógio) entre outras antiguidades chiques. Há um segundo tipo de executivo, jovem geralmente atuando na área de novas tecnologias e serviços, usando uma grava de zíper com motivos de desenhos animados(Pernalonga ou Diabo da Tasmânia, Hortelino Troca-Letras ou Gaguinho, qualquer um!), óculos Ray-ban ou alguma marca cara ou modelo esportivo(exceto espelhado) pasta de couro natural ou sintético, moderna, combinando - ou não - com o cinto e sapatos finos e caros mas com modernas solas anti-derrapante, um celular ou um palm-top no bolso do paletó(nunca no cinto). E finalmente há o executivo anacrônico, uma mistura dos dois tipos, geralmente um publicitário ou qualquer janota empertigado que o valha.

A minha disputa com um executivo

Eu prestei serviços free-lance como assistente de auditoria para um órgão governamental com um amigo. O encarregado deste órgão para fiscalizar a nossa auditoria era um jovem executivo que se gabava de ter morado no Hawaí onde fez o seu MBA, que é um nome importado para mestrado em administração de negócios. Esse executivo júnior reclamava de nódulos nas costas afirmava gostar de comer pepino inteiro, e não em rodelinhas...entendeu?

Um dia ele me perguntou:

-- Quanto você está ganhando para trabalhar aqui?
-- Eu só sei que é muito menos do que você...à propósito quanto você ganha?

E finalmente, um dia ele falou demais no seu MBA no exterior que eu perguntei:

-- Quanto tempo você ficou no exterior - achando que ele fosse dizer uns três anos, mas a resposta foi:
-- Três meses - respondeu, murcho.
-- Ah, que interessante. Eu morei um ano no Japão - retruquei sarcasticamente, desconfiado que aquela mania de caprichar nas palavras e de se auto-promover (além dos nódulos nas costas e de gostar de pepino inteiro) significava que ele era um arquétipo de executivo de-li-ca-do...


habitat: bolsas de valores, grandes empresas,festas badaladas, restaurantes caros, shopping centers, no centro financeiro(onde trabalha), nos bairros tradicionais e culturais( aonde vai para se divertir) e nos bairros mais elegantes da cidade(onde mora).
aparência: muito boa nos trajes e paramentos, mas nem sempre são pessoas bonitas. Fantasiam-se de terno e gravata.
marcas e sinais: usam cabelos bem cortados, barbas aparadas e unhas feitas. Não têm outro tipo de marca ou cicatrizes porque nunca pegaram no pesado.
utilidade: executam ordens de quem é realmente rico, para oprimir, explorar e empobrecer o verdadeiro trabalhador
periculosidade:máxima; são trabalhadores indiretos, administram as empresas, o capital, as contas publicitárias de empresas - mantendo o sistema e o status dos ricos.
modus operandi: trabalham muito pouco e ganham muito bem
objetos e armas: pasta de executivo, celular, palm-top, laptop, pager, carteira recheada de tutu.
nome científico: executivus empertigadus


Amanhã, o Arquétipo do office - boy o espera aqui


Se alguém se habilitar, mande-me uma caricatura, desenho, ilustração, charge do executivo, que publicarei aqui