Sábado, Maio 11, 2002

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símbolo = arquétipo = mito


Arquétipo urbano 2: dona de casa (do lar)

são as mães que perambulam por aí.


descrição
Elas vão ao supermercado, à farmácia, enfim, fazem compras para a casa.

A minha experiência com uma dona de casa impertinente

Há algum tempo atrás eu estava no interior de um coletivo em São Paulo vestindo o meu velho sobretudo quando a dona de casa deixou cair a sua sombrinha e eu nem aí, fiz que não vi.

--Moço, você não vai pegar a minha sombrinha?
Algo na arrogância maternal/autoritária dela me fez responder:
--Não.
--Estão vendo, que rapaz mal-educado, isso é um absurdo! - tentou ela principiar um escândalo e para piorar eu não pude descer do ônibus à tempo de evitar ouvir:
--Será possível que a mãe dele não lhe deu educação?

Sim, seria a resposta. Acho que até me educou mais do que devia, senão eu respoderia à ela como deveria . E o problema é justamente esse; mãe é uma só (graças a Deus) e só uma basta!



habitat: estão nos supermercados, farmácias, shoppings .
aparência: varíável, desde lenço na cabeça com bobs até a perua
marcas e sinais: a maquilagem disfarça (ou tenta).
utilidade: fazer compras de cama mesa e banho, cuidar da casa.
periculosidade: mínima. podem passar um sermão se acharem que você não estar se comportando bem ou se for mal-educado
modus operandi: fazem compras e pedem para você pegar uma lata que está no alto da prateleira ou pôr o saco de arroz ou caixa de leite no carrinho
objetos e armas: bolsa abarrotada de coisas de mulher, sombrinha
nome científico: dominatrix domesticus

Gilles Tran : frenzy Baliens

Amanhã, o Arquétipo do Executivo o espera aqui



Se alguém se habilitar, mande-me uma caricatura, desenho, ilustração, charge...da dona de casa, que publicarei aqui

Sexta-feira, Maio 10, 2002

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Poema concretista de Haroldo de Campos

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símbolo = arquétipo = mito

Arquétipo urbano 1: O puxador de assunto

São aqueles tipos que iniciam uma conversa `a qualquer hora e em qualquer lugar mas não deixam você falar nada.


descrição
Eles estão em todo o lugar. Surgem do nada, ou do meio da multidão. Cercam você em lugares de onde não pode escapar, uma fila de ônibus, no caixa do supermercado, numa sala de espera ou num táxi. Qualquer fato pitoresco ou peculiar é usado como gancho para ele puxar um assunto e dar o início a uma conversa. Eles geralmente partem do geral através de uma palavra - chave provocante e lançam um olhar penetrante e inquiridor na sua direção esperando uma resposta. Aí esta a armadilha.

A minha experiência com um puxador de conversa.

Semana passada eu estava no deprimente e decadente terminal central de ônibus municipal quando uma figura bisonha se aproximou de mim. Era um velho magro, mas com uma musculatura rígida, principalmente no seu aparelho bucal. Eu estremeci ao ver que ele me olhava de soslaio. Percebi naquele instante que eu era mais uma vítima de um puxador de assunto. A sua aproximação foi um movimento muito estudado; ele estava olhando a minha calça rasgada. Sentou-se ao meu lado e lançou:

--Ainda bem que hoje se pode usar qualquer roupa, como essa sua calça rasgada, o que ajuda muito a economizar. -
tentei esboçar uma resposta mas ele prosseguiu:
--É... o dia hoje está abafado não acha?...mas essasuacalçafacilitamuito- ele estava tão afoito para falar que emendava uma palavra na outra e falava sem tomar fôlego. O objetivo era não dar chance de eu responder.
--também com essa poluição na minha época não tinha isso não, eu sei que a culpa é da Ford mas aprefeitura podia fazer alguma coisa não acha? Acha sim, mas você ainda é jovem quando eu tinha a sua idade a gente usava jeans até rasgar porque não tinha troca mas era aquele jeans grosso como chama mesmo...da levis? mas sabe eu tentei entrar no Palácio do Planalto vestido assim e fui barrado e tive que comprar um terno na loja só pra conversar com o meu primo que era paulista mas estava trabalhando em Brasília, aquele sujeito é que sabia curtir a vida, também tinha dinheiro, apesar de que os judeus detém o capital do mundo...(etc,etc,etc)

habitat: estão em todo o lugar.
aparência: qualquer uma(o problema é esse)
marcas e sinais: têm vincos nos cantos da boca, de tanto falar.
utilidade: nenhuma, pelo contrário.
periculosidade: média. podem levar você a um enfarte se você for pavio curto do tipo 'saraiva"
modus operandi: aparecem vindos do nada ou do meio da multidão e iniciam um monólogo neurótico e irritante que você é obrigado a ouvir.
objetos e armas: carregam objetos apenas para servirem como chamarizes para o início de um assunto: um jornal, uma Bíblia,etc.
nome científico: urbanus loucus verborragicus

Amanhã, o Arquétipo da Dona de casa o espera aqui



Se alguém se habilitar, mande-me uma caricatura, desenho, ilustração, charge...do puxador de conversa que publicarei aqui

Quinta-feira, Maio 09, 2002

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símbolo = arquétipo = mito


Arquétipos Urbanos




Os arquétipos são aqueles tipos gerais de pessoas, coisas e lugares que se repetem indefinidamente. Por exemplo, você já esteve num desses arquétipos de boteco de esquina imundo com aquele balconista feio, mal-arrumado, a barba por fazer com um pano de prato pútrido no ombro direito(que é o mesmo que ele usa como lenço para enxugar o rosto ou para limpar o balcão)?Pois bem, o balconista é um arquétipo de pessoa; o bar, de lugar. Ah, o pano de prato imundo é um arquétipo de coisa imunda.
Esses tais arquétipos podem aparecer a qualquer hora, em qualquer lugar. Eles causam uma sensação do tipo "eu já vi esse cara antes" ou uma impressão estranha como "eu já estive nesse lugar..." Alguns arquétipos são divertidos, outros são incômodos ou até perigosos
Os arquétipos que inicialmente descreverei são os arquétipos de cidadãos urbanos. Aquelas pessoas com as quais você tromba na rua , encontra no supermecado e com o tempo vai catalogando como tipos. Eu não sei bem se conseguir detectá-los é uma vantagem, uma habilidade, uma capacidade ou apenas um azar. Talvez eu simplesmente esteja andando demais por aí ou quem sabe ficando velho...
Alguns dos arquétipos urbanos mais comuns são: aposentado, dona de casa(do lar), estudante, doméstica, office-boy (e derivados), executivo,mendigo, pivete, ladrão(o mais comum deles), play -boy(de certa forma, oposto ao office), trabalhador e desempregado(a maior classe de todas).
A partir de amanhã, eu iniciarei uma série de mini - crônicas descrevendo os arquétipos urbanos e narrando as minhas experiências com eles. Aventuras divertidas, incômodas e até... perigosas.
Começarei pelo tipo urbano mais incômodo entre os arquétipos; o puxador de conversa.
E que Deus ajude todos nós!



ilustração por Gilles Tran

Quarta-feira, Maio 08, 2002

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EPITÁFIO DE UM ENDIVIDADO



VIDA DIVINA? NADA! NA VIDA VIVIDA, VIVI NA DÍVIDA!
DÍVIDA DIVINA? NADA! NA DÍVIDA NADA DIVIDIDA , NADA VI DIVINA.
A VIDA VIVIDA? NADA! IDA, VINDA, AINDA NA DÍVIDA.
NA DÍVIDA AINDA? VAI! ANDA !
VI ÍDA, VI VANDA, VI DAVI NA DÍVIDA, VI IDA NA DÍVIDA.
DIA A DIA, A DÍVIDA DANA A VIDA.
DANA A VIDA? DANA NADA!
A VIDA NADA DÁ. A VIDA DÁ DÍVIDA.
A DÁDIVA DA VIDA : A DÍVIDA!
AI, VIDA! A VIDA DANADA DA DÍVIDA ...

Terça-feira, Maio 07, 2002

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Que tal visitar o site do aracnídeo e descobrir porque eu gosto tanto das suas histórias?

Site oficial






Domingo, Maio 05, 2002

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Os homens que lutam - Bertold Brecht

Os homens que lutam - Bertold Brecht


Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis