As palavras que digo são como Areias ao Vento:
(ou o que digo não é ouvido ou estou febril delirando num manicômio imundo
num bairro qualquer esquecido de algum subúrbio de uma cidade decadente do nosso miserável Brasil)
Palavras foram perdidas no inferno quando as areias do tempo esvoaçaram da ampulheta quebrada e foram sopradas por aquele mesmo vento que outrora dissolvera o castelo de areia onde moravam os meus sonhos e, com a sua derrubada, estourou as bolhas de sabão que continham os mundos que criei em minhas fantasias infantis e as gotas causaram perturbações concêntricas na superfíe de um espelho-d'agua no centro de um jardim onde eu me vi falando sozinho.
Escrever este blog é um eterno procurar sem saber o que encontrar...talvez seja apenas uma busca por uma saída, ou, quem sabe, uma saída por uma busca. Enfim, assim é a minha vida.
Sábado, Abril 27, 2002
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Sexta-feira, Abril 26, 2002
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Visitem a minha página espelho areias ao vento no ILHA : ela é ilustrada e contém fotos minhas. Mas em breve, as duas páginas serão praticamente idênticas .
Areias ao Vento Ilustrada[>]>
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1) conta-gotas: para as lágrimas que ainda sou capaz de verter;
2) luneta: para trazer as pessoas para perto de mim;
3) microscópio: para ver as minhas alegrias;
4) lupa: para aumentar o meu sorriso;
5) cobertor: para me aquecer nas noites frias e solitárias das sexta-feiras;
6) algemas: para manter alguém junto a mim;
7) correntes e cadeados: para guardar o que é meu;
8) um liquidificador: para misturar tudo isto numa vitamina de felicidade.

Por Gregory Grimaud :: 2:59:42 :: [Comentários] [0] (areiasaovento) [EDITAR] [APAGAR]
Quarta-feira, Abril 24, 2002
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Onde está você, desejo secreto de ver as suas curvas de nobreza, eu que sou um paladino plebeu ?
Em qual torre de que castelo o nobre vil a trancou? Jogue as suas tranças para que eu escale os seus cabelos até você!
Cá estou eu em meu cavalo branco a matar dragões coma uma lança suja de sangue.
Onde está você, vontade de realizar a alquimia do eu com você transmutando em nós?
Que mapa me levará ao tesouro guardado no baú que você esconde em meio à floresta?
Onde está você, bruxa transformada em fada que me enfeitiçou durante um festival?
Estará dançando nua em torno de uma fogueira num bosque nebuloso fazendo um ritual para me prender a você eternamente?Pois não é preciso tanto.
Venha a mim, o seu cavaleiro negro a aguarda com a espada na mão!!!
21/03/02
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O lugar de certas mulheres e as mulheres de certos lugares
Algumas mulheres querem você por cima - delas
Outras querem nos jogar para baixo - delas.
Algumas mulheres são um sonho: surgem no meio da noite, tiram o nosso sono e se vão com o nascer do sol.
Algumas são um pesadelo:surgem no meio da noite, tiram o nosso sono e no seguirão de sol a sol .
Outras mulheres são matadoras: querem nos ver expirar, nos amam até cansar e nós cansamos de tanto amar.
Poucas mulheres são salvadoras: querem nos ajudar, nos ajudam a amar, porque amam ajudar.
Várias mulheres são como todas. Como todas!
Certas mulheres nessa vida são únicas: e são as únicas na nossa vida incerta.
Umas valem a pena. Outras não merecem pena. E se você for um amante duro, saiba que à duras penas se ama.Eu tomo umas e outras num bar qualquer em busca de qualquer mulher.
Isto porque a maioria delas quer apenas o que você tem, e estas costumam ser justamente aquelas que têm o que você quer.
Nenhuma está com você por acaso, está por um caso ou para casar: azar o seu. Dizem que o casamento anula a liberdade:por isso alianças ficam no dedo anular.
Existem mulheres que só querem o seu corpo.Desistem as que querem o seu dinheiro - se não o tem não as tem também.Insistem em você as que só querem o seu coração. Persistem por toda a vida as que querem que você divida com elas o seu corpo, coração e alma...e as dívidas.
Quinta-feira,21/03/02 - 2:30 AM
Segunda-feira, Abril 22, 2002
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Durante essas duas semanas em que me ausentei ou me furtei à responsabilidade de escrever o meu weblog, imaginei o que os outros blogueiros escreveiam para justificar a sua ausência. Assim, acho que encontrei uma boa maneira de compensar a minha ausência. Também procurei escrever mental e diariamente em blocos de idéias que julguei serem de tamanho equivalente aos que normalmente escrevo aqui no Areias ao Vento - compensando desta meneira no espaço o que não pude fazer no tempo. As idéias mais complexas anotei num caderno de anotações marrom que carrego comigo e transcrevitudo para vocês lerem .
Por que passei (mais de )duas semanas sem escrever o meu diário:
Estilo silício e silêncio
Eu quis escrever signos mas o ruído da carne ware sendo costurada por mãos semiológicas no meio surreal de um hospital público mão me permitiu emitir a mensagem.
Estilo Morfina
Eu quis escrever sobre o hospital público onde eu estava coma a minha avó octagenária, em meio aos pobres enfileirados em macas nos corredores lotados, negros com câncer, mulheres gordas operadas com sondas nas veias, crianças com braços e pernas quebradas, gemidos e pedidos de socorro.
Estilo Ramazzotti
Cara, eu tentei escrever quando cheguei do hospital mas eu tive que sair pro agito, porque a vida é feita pra ser vivida: vamos curtir, pessoal!
Estilo Delícias Cremosas
Eu tentei (aliás, nós todas)escrever o que aconteceu comigo naquele hospital público, mas eu só conseguia pensar que um dia eu poderia estar grávida dele, claro, então eu me lembrei de como é acordar do lado dele e deixei para escrever depois da gente transar.
Estilo Expressões Letradas
Eu quis escrever , mesmo estando acompanhada da minha querida avó idosa, mas me vi envolvida demais com as questões relativas à sua saúde. Duas semanas se passaram como se eu não tivesse mais saído daqueles lugares, como se parte de mim tivesse ficado ali com os doentes daqueles hospitias e postos de saúde aonde vão as pessoas para atenuarem os seus sofrimentos ou para salvarem as suas vidas auxiliadas por anjos vestidos de branco, os médicos .
Estilo O Poeta Que Pariu
E eu a tentar escrever
Sobre a dor que sentia
Mas sequer pude fazer
Aquilo que eu gostaria
Pois demorei demais
Para sair daquele lugar
O corpo, a mente,iguais
Sem poderem se libertar
Internados em hospitais
Esperando receber alta
Estilo Catarro Verde
Eu quis escrever mas a minha avó velha e enrugada tava com uma ferida enorme na perrna direita, que tinha necrosado e também enchido de pus brotando pelas cascas do machucado e o pé dela ficou todo preto. Então os médicos tiveram que dar anestesia local e arrancaram a carne podre até deixar o osso fíbula exposto e aquela carne inflamada vermelha em contraste com a perna roxa era nojento demais até pra mim. Eu pensei que iam ter que amputar o pé da coitada, e se fossem amputar eu ia assistir. Por isso tive que levar ela todo o dia pra fazer curativo no buraco aberto,e não deu pra escrever. Sabe, eu fico olhando jogarem soro pra quando tirar o curativo não despregar a casca da ferida senão ia sangrar e doer muito.
Estilo Tem certeza?
Quando eu era inocente...
Me disseram que deus não castiga quem é bonzinho...
Que quando machuca, dá um beijinho que passa...
Que o inferno não existe...
Então eu vi o pé da minha aó daquele jeito e tive que levá-la ao hospital.
Estilo Areias ao Vento
Eu quis escrever mas os dias de dor e sofrimento em nosocômios tornaram a tarefa impossível. Nos corredores superlotados dos hospitais públicos eu vi um retrato vivo(mas nem sempre) da dor e sofrimento povo brasileiro oprimido pela pobreza e injustiça social. Eu vi homens negros esqueléticos minguando de dor e câncer com metástases por todo o corpo; velhos ressequidos arrastando-se pelos corredores; mulheres gordas operadas exibindo sondas intravenosas, encolhidas em macas; crianças chorando de dor, manha e desabandono; filas para curativos;salas de espera lotadas de parentes e pacientes impacientes; e médicos e enfermeiros correndo para fazer o impossível que é salvar essas vidas no grande hospital público que é o Brasil.