Areias ao Vento
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No cemitério



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Norberto ria-se muito da situação. Assistir ao próprio enterro era algo cômico. E o melhor é que ele nem havia planejado; algum incompetente do IML atestara a sua morte após a matança no Carandiru.
Ele nem reparou que do outro lado do seu túmulo havia outro e que um enterro acontecia simultaneamente ao seu falso despedir-se. Enterros simultâneos.
O sol estava quase para se pôr, quando uma voz surgiu ao seu lado:

-- Foi o que eu disse: a morte não o levaria tão fácil.
Era o Profeta.


-- Vá para o inferno, Profeta. Se contar para alguém que eu estou vivo, morre!
-- Repare nas frases que constrói, amigo. O mesmo faz com a sua vida. Corrompe a escuridão com luz e apaga a luminosidade com trevas.
-- Já disse, vai pro inferno com seus enigmas da puta que te pariu, velho viado.
-- Eu vou para o inferno, mas você vai antes, Noberto...

Mal acabou a frase, Noberto pode ouvir as ultimas palavras do padre...
-- memento, homo, quia pulvis es et in pulvere reverteris...
E o clérigo retirou de sob a batina uma arma e atirou na cabeça de Noberto.

O Profeta sorriu e disse:
-- É a primeira pessoa na história a morrer no próprio enterro!

E gargalhou indo na direção do sol poente
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