Areias ao Vento
Sobretudo sobre o nada da existência arte,filosofia,e ciência; sobre tudo e sobre nada:do oculto e da sapiência

Maldrogadas encaro

Maldrogadas encaro


Partes corruptas de mim esvoaçam pelo vazio do meu sono e se plasmam em sonho. Vultos perambulam numa noite escura: vou até uma banca de jornal onde milhares de gibis de super-heróis aguardam-me como se estivessem vivos. Lá está o Antenor , aquele velho e bom camarada negro de boina com quem conversava diariamente antes durante e depois da compra dos cobiçados exemplares. Ah, a banca Ana Rosa, propriedade do Toninho é claro, ainda que meio enciumado por tantos preferirem conversar com o velho camarada "Antena". Evidentemente este tempo ficou pra trás, ficou no Largo Ana rosa na sampa, da garoa.
Uma vela queima em meu altar: ela se divide em três enquanto eu a observo no escuro, na madrugada... o escuro da madrugada.
Dentro do ônibus, uma moça interessante. Pena que a droga a tenha tomado de assalto: a cocaína consegue acabar com a beleza de qualquer um, neste estágio. Um drogada mal - dissimulada , mal-drogada, malograda.
Ah, a madrugada. O cão doente tem convulsões mas eu preciso dormir. Os filhotes da "gata da biblioteca "agitam o meu quarto, mas eu tenho que dormir.
"Eu tinha onze gatos, agora tenho dezesseis", me diz Robert Frost , um amigo americano membro da SAMISEPFPGB: sociedade - dos- alcoólatras milionários- intelectuais- solitários- estrangeiros- que -perambulam- pela -faculdade- e -protegem- gatos- de -biblioteca.
Penso nisso tudo na madrugada, na drogada, no gato, na banca da Ana Rosa, enquanto olho a vela queimar...

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