Areias ao Vento
Sobretudo sobre o nada da existência arte,filosofia,e ciência; sobre tudo e sobre nada:do oculto e da sapiência
As sombras de uma Era.


As sombras avançam com o por do sol, os sorrisos se vão o medo da escuridão se alastra como a peste.

Os cães dormem, os gatos ganham as ruas.

Eu saio, com as roupas pretas. Em cada esquina um perigo me aguarda , eu estou armado com a minha espada e o meu escudo.

Monstros enormes avançam: a sua couraça metálica reluz sob o brilho da lua cheia. Em seu interior, cavaleiros errantes que jogam as suas montarias na minha direção.

Dobro a esquina, e um novo perigo se aproxima.

Metade homem, metade mulher o ser avança. Desvio do Súcubus e busco abrigo.

Numa taverna, viajantes e moradores da cidade-estado bebem. Uma piada de mau gosto e um deles saca estranho artefato de bruxaria, como que obra de dédalo mas com o ardil malevolente de circe, como uma arcobalestra a arma explode com a força de um sopro de dragão e o ribombar de um trovão nos ensurdece. Eu fujo e ganho a noite nas ruas novamente.

Dobro a esquina, e um novo perigo se aproxima.

Um salteador quer os meus pertences, mas eu o iludo e com os meus trajes escuros desapareço nas sombras.

Caminho solitário, protegido pelos meus amuletos; um anel, uma pulseira, um colar e um segredo na algibeira.

Um cão infernal se aproxima, negro como a noite mais escura. Eu rezo pela nossa sorte, antes de me defrontar com a fera. Um filhote de gato surge , uma benção da mãe Bast, e me salva da fera. Um sacrifício na noite, para que eu saia ileso e prossiga a minha missão.

Dobro a esquina, e um novo perigo se aproxima.

Devo montar na fera que vem de Africae. Ela se move com a rapidez dos anjos, mas parece e geme como uma besta. Estamos agora no ventre do ser, como na história de Jonas no ventre da baleia, que li na vulgata.

Chegamos ao grande castelo que abriga um mercado em seu interior onde consigo comprar aquilo que me moveu na noite cheia de perigos: um alfarrábio proibido.

Mas desafortunadamente os Inquisidores me vêem e se apressam para tentar me capturar. Eu me misturo na multidão, e me preparo para atacar quando uma magia cai sobre mim:

A minha espada se converte numa caneta.

o meu escudo se transforma num caderno marrom.

O alfarrábio se torna um romance.

E eis que descubro que estou preso na época errada.
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