Areias ao Vento
Sobretudo sobre o nada da existência arte,filosofia,e ciência; sobre tudo e sobre nada:do oculto e da sapiência
EU, MUNDO

Eu sou o mundo das betoneiras, misturando o cimento para os seus ninhos de tijolos e concreto , tocas e ninhos : nunca mais pássaros Dodô, extintos pelo instinto de destruição humano. Extintos como os gigantescos dinossauros que hoje são pássaros que cantam em gaiolas. Tristezas desde a queda da Bastilha, a tomada de Monte Castelo e a destruição da torre como a décima -sexta carta do baralho dos ciganos; a Torre de Babel, um avião de papel, a Torre de Pizza, um entregador de Pizza, A Torre Eiffel, um avião de aço na terceira casa do Rei e cheque-mate! Caem as torres gêmeas ...
As nações de EU, MUNDO guerreiam como órgãos de um corpo doente, enquanto a natureza agonizante tenta parir vida. Plantas medicinais, a planta baixa do pé de mamão, aqui, na palma da minha mão. Plantas carnívoras e pessoas vegetarianas, arianos e taurinos, o Jardim do Éden numa estufa do Gabão, peixes num aquário, pássaros na gaiola, eros e thanatos, apolíneos e dionisíacos.De São Paulo a Nagoya com escala em Atlanta uma viagem a trabalho, outra a lazer. Esquiando na Suíça, acampando em Yellowstone, tirando a carteira de motorista na Tailândia, vendendo bugigangas em Bangladesh. O Balé Bolshoi, a Ópera de Pequim, o tango de Buenos Aires, o fado do Porto, Portugal a trinta graus, o afoxé dos Filhos de Gandhi. Peregrinando para a Terra Santa, uma cruzada, uma cruz ansada num sarcófago egípicio, um cruzado de direita, caminhos se cruzam num cruzamento de cães ou cavalos clonados. Orando voltado para Meca, um esquimó num oásis no Saara, um beduíno num iglu no Alaska, uma corrida de riquishá em Taiwan vista num televisor chinês comprado no Paraguai. A volta ao EU, MUNDO em um segundo sem sair do lugar, via internet , via intranet, num balão meteorológico, um meteoro em rota de colisão, dois automóveis, duas vidas vêm colidem e se vão. A mentira num telejornal, a verdade num filme, um olhar que se desvia do rádio, ouvidos ignoram a televisão, uma bala ricocheteia em Amsterdã, amanhã. Amanhece em Tóquio, anoitece em Brasília, o EU, MUNDO gira.
Frio na Terra do Fogo, um pesadelo em Ushuaia, um caiaque nas corredeiras, um bugue nas dunas , derretem as geleiras de um coração frio. Um galpão vazio, um cais repleto de contâineres, pobreza em Porto Rico, a riqueza dos espíritos de porco. Cai a bolsa em Nova Iorque, roubam uma bolsa no Rio de Janeiro; em Maio, cai uma velha em Cingapura e estoura a bolsa de uma grávida no México em plena hora da siesta. Uma estação orbital, inverno em alto-mar, um barco à deriva, baleias encalhadas, moças solteiras e engarrafamento na hora do rush.Uma semana no spa. dois anos na prisão, quatro anos na universidade e uma vida inteira de ilusão. Ramadã, Yon Kippur e Helloween, dentro e fora tudo se mistura em mim: monges tibetanos; mafiosos chineses; farsantes ingleses; peregrinos taitianos; contrabandistas de poesia, traficantes de influência; viciados em amor se encontram na primeira página do jornal. Médicos doentes: advogados criminosos;padres pecadores, e ladrões honestos. Inocentes na colônia penal, criminosos numa colônia de férias, guerrilha na Colômbia, paz no Afeganistão. Uma ogiva nuclear, uma ogeriza secular levando a limpeza étnica, a leveza da ética do politicamente correto dos protocolos diplomáticos que caem por terra em combates em alto-mar.Música toca na rádio, televisão, rede, 91,3 megahertz, 100 gigabites de memória amnésica e 10 centímetros cúbicos de overdose nos distraem até que 1000 megatons de medo e ira destroem EU, MUNDO. Um barco vira no lago Ness, uma reviravolta na nossa vida, passagem de ída sem volta. Satélites, antenas e cabos, correspondentes, emissários e parceiros parlamentam na Babilônia. Krakatoa e Vesúvio explodem e jorra lava em Java, uma avalanche, uma enxurrada, um desmoronamento, Dragões de Komodo, Diabos da Tasmânia, recifes de coral, Corais de Recife cantam a mania e o incômodo do Apocalipse. Pelo Expresso do Oriente, o Trem da Morte,ou de Prata, Chile, Peru, Rússia, Seul, o sol da meia-noite, a lua ao meio-dia. A aurora austral para os pingüins, a aurora boreal para os ursos brancos, animais migram, emigram, intrigam. A penumbra na Ungria, a macumba daqui, os zumbis do Haiti, as favelas do Brasil, um enduro pelo deserto de um coração desiludido. Garoas como lágrimas de refugiados albaneses, febre do feno, gripe espanhola, cactus nos trópicos, capitalismo-comunista, um terremoto no Ceará. A Copa do Mundo,as Olimpíadas, as Tropas da Otan, espetáculos e genocídios nos confundem. Marcapasso num eremita, coração de aço por trás da cortina da Dama de Ferro, crimes contra a humanidade, cai a casa e o Muro de Berlim. A Estátua na Liberdade, as Pirâmides do Egito, o Kremlin e o Taj Mahal em cartões postais enveneados pelo racismo. Homens-bomba, assassinatos nas escolas, a falta de escolha nas eleições.Olhos nos olhos, dentes nos dentes, língua na língua: um judeu americano se casa com uma muçulmana afegã e se faz a paz na Terra que eu sou EU, MUNDO!
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