Areias ao Vento
Sobretudo sobre o nada da existência arte,filosofia,e ciência; sobre tudo e sobre nada:do oculto e da sapiência

O Livro dos Mortos 9

O Livro dos Mortos 9

Um mundo de sal parte II



Vejo os olhos do Demônio fitando os meus...ele esta tentando me intimidar com as chamas que ardem em seus olhos.
-- E os seres evoluiram , se tornaram anfibios e com o passar dos jubileus se tornaram andarilhos, vagando por um mundo cada vez mais seco. Eles andavam sobre sal, e como o alimento fosse pouco, os homens escamosos passaram a se dividir, mais e mais até que formaram doze tribos. Uma tribo caçava a outra, e se entregavam ao canibalismo, deixando as carcaças para trás. Muitas lágrimas se derramaram no mundo de sal, mas lágrimas salgadas não são percebidas num mundo salgado.
Agora é a minha vez. Ele sorri um sorriso maléfico para mim. Assume a forma do meu falecido avô. tenta me perturbar, fazendo-me recordar de quando eu jogava com o velho japonês e perdia. Mas ele se esquece que um dia eu ganhei. Eu sorrio para o demônio-avô e continuo:
-- E um deles descobre a vida em meio à morte, a esperança entre o desespero. A saciedade que vem da fome: um fungo cresce dos cadáveres em putrefação semi-mumificados pelo sal. O fungo serve como alimento e se reproduz rapidamente.
Fico satisfeito, mas o Demônio não titubeia...nós estamos agora diante de uma grande planície branca, cuja alvura é quebrada aqui e ali por fileiras paralelas esverdeadas.
-- E este homem e a sua tribo se tornaram prósperos e ricos com o fungo, e passaram a ser invejados. Com a inveja veio a guerra...- diz ele, e nós vemos uma batalha manchar o branco das planícies de sal de um líquido azulado: sangue.-...com a guerra veio a peste, pois muitos se deprimem , enfraquecem e caem. Chega agora a fome como nunca sentida anteriormente . A fome não-saciada conduz à morte que dizima todos de todas as tribos...
Percebo que é hora de interferir e ajo rápido:
-- Exceto aquele que sabe a receita de como produzir alimento de cadáveres e a sua companheira, e como cadáveres é o que agora não falta no mundo de sal, o alimento abunda pelos campos brancos doravante tintos de verde-fungo. E como não há inimigos, reina a paz nos campos e montanhas de cristal.
Com a paz e o alimento, a esperança volta aos corações do último casal.
fito o rosto do lorde do Mal e o flagro transfigurado no rosto da minha primeira namorada de infancia, Viviane. O belo rosto de menina , os olhos azuis contrastando como duas lanternas por detrás dos cabelos negros.
-- Então do amor quase infantil do último casal vem uma pequena desavença. A mulher não quer que o homem use os corpos da sua tribo como fonte de alimento para o fungo. Mas ele inisite e insiste. Ele pede e pede. E implora. Ele finalmente parece ceder. Constrói um mausoléu de sal em homenagem à tribo da esposa. E tudo vai bem. Até o dia em que ela vai colher o fungo de uma fileira de cadáveres e reconhece o corpo da mãe. Furiosa, ela profana o mausoléu da sua família e o descobre vazio. Esta noite ela finge dormir. Nesta noite ela mata o marido. O põe morto numa das fileiras de cadáveres tomados pelos fungos. E come dali em diante os fungos que cresceram no cadáver daquele, outrora, seu companheiro. Então o tempo se vai ela morre só no mundo de sal...e o fungo toma o seu tecido apodrecido...mas não há mais boca para comê-lo...

E o Demônio me vence, assumindo o rosto de Vanessa, a minha namorada na adolescêscia. Ela gargalha olhando para mim.

continua.

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