Areias ao Vento
Sobretudo sobre o nada da existência arte,filosofia,e ciência; sobre tudo e sobre nada:do oculto e da sapiência

Normal e anormal: ou justificativas sem(com) método [ou/e] sem(com) razão para ser quem [e] (como) eu sou



Muitas pessoas me perguntam como consigo escrever 20 páginas de material científico em duas horas, ou ler e resumir 3 livros em uma semana , trabalhar, estudar, fazer academia, abastecer o meu weblog diariamente com um volume de informações que beira o dobro dos outros(sem querer menosprezar ninguém, pelo contrário*) aqui vão as razões:





1. Eu tenho leitura dinâmica. Tenho, mas não pratico as técnicas falsas quem ensinam por aí;
2. Eu escrevo manuscritos na mesma velocidade que algumas pessoas falam;
2.1. Isto significa que a minha caligrafia é uma teratografia formada por garatujas ininteligéveis;
3. Quando estou realmente escrevendo( não isto aqui que é o mesmo que falar) passo dois dias seguidos num estado de consciência alterada e sem tomar banho;
3.1. Isso não significa que eu não goste de tomar banho, se Cristo passou quarenta dias no deserto, dois não é muito...
3.1.1. Nem sempre escrever muito é sinônimo, sinal ou indício, de escrever bem;
3.1.2. Mas, paradoxalmente, se alguém quiser escrever bem é preciso escrever muito para se chegar lá(ou aqui);
4. É muito fácil ler e resumir livros mesmo científicos para alguém que passava o dia inteiro na bilbioteca copiando livros;
4.1. Isto significa que sou um bibliófilo - hermeneuta - esquipático - solitário;
4.1.1. Eu disse solitário, e não solidário. Os termos são binômios opositores;
4.2. Também é verdade que sofro de boemia compulsiva;
4.2.1.Eu disse boemia compulsiva, e não insônia;
5. Tudo isto significa que não tenho namorada, alguém se habilita a namorar com um pergaminho em escrita hierática ambulante? Decifra-me que devoro-te;
6. As idéias me perseguem: a história do Dr. Albineri e Edina foi ditada por alguém que não sei quem é após um sonho matinal;
6.1.Isso mesmo, amanheço com histórias inteiras na cabeça;
6.1.1. E isso não significa que eu seja louco. Pois louco é quem me diz, que não é feliz, não é feliz;
6.2. Desconfio de quem não amanhece com histórias nas cabeça: contamos ao menos quatro histórias a nós mesmos toda a noite(os sonhos);
6.2.1. Quem não se lembra dos seus sonhos é porque tem coisas a esconder de si mesmo;
6.2.2. Eu sempre me lembro dos meus sonhos;
7. Dizem que sou paradoxal, mas eu afirmo que não sou. Dizem que sou uma antítese capenga. Eu afirmo que não sou. Dizem que sou uma contradição evidente, ou uma evidencia de contradição. Eu afirmo que não sou;
7.1. Todos temos corpo e mente. Por que não trabalhar os dois?
7.1.1. Sim, eu sei. É muito cansativo. Demorei muito para conciliar a musculação com Dostoiévski mas aqui estou:
7.1.2. 1,87, 96kg de músculos e letras;
7.2. Demorou mas aqui estou com os músculos letrados e as letras anabolizadas;
8. Alguém aí se perguntou o motivo de eu estar escrevendo em tópicos numerados conforme as normas de Metodologia para o trabalho científico da ABNT?
8.1. Por que eles acham que o cartesianismo é a melhor maneira de se expor racionamente as idéias. Já imaginou, você se levantando cedo e virando para a sua mulher:
8.1.1. "Introdução: sobre o diálogo conjugal matinal. Justificativa: Amor, eu tenho três coisas a lhe dizer nesta manhã, que são o objeto do meu colóquio matinal.1. Bom dia; 1.1. Dormiu bem?; 1.2. Cadê o jornal? Pretendo fazer isso com o objetivo de iniciar bem o dia, e para esta finalidade usarei uma linguagem coloquial e amena . Capítulo 1: como começar bem o dia. Capítulo 2: a importância do bom humor matinal. Capítulo 3: a leitura do jornal como desculpa esfarrapada para não conversar com a esposa no desjejum. Conclusão: 75% das assinaturas de jornal são motivadas pelo álibi perfeito que a leitura do jornal dá para cônjuges mal-humorados no período matinal não conversarem com os companheiros. Bibliografia: SOLTEIRO,José. Você está lendo o jornal de ponta cabeça! Editora Casa da Sogra, Arraial dos Solteiros, 1901.
9. Tudo isto para dizer, normas não servem para escrever crônicas, normas não servem para escrever diários, normas não servem a nada a ninguém além das elites sequiosas de perpetrarem e perpetuarem o seu domínio histórico e histérico sobre tudo e todos, especialmente sobre os intelectuais. Pense nisso: Shakespeare escreveu qundo não havia ainda o dicionário Oxford; René Descartes e Isaac Newton, os supostos responsáveis por essa miséria intectual consubstanciada na metodologia, revolucionaram a ciência sem metodologias diatadas a eles, e sim ditadas por eles;
10. Assim, concluo , partindo do particular para o geral, que perdemos mais tempo adequando a nossa produção científica à normatização arbitrária cartesiana racionalista do que desenvolvendo e expondo as idéias que poderiam revolucionar o conhecimento; a morosidade não é por acaso, ela favorece as elites, que ditaram as regras.



PS: EU ESCREVO O QUE EU QUISER E COMO EU QUISER E UM DIA EU DITAREI AS REGRAS.


* Alguns blogs como o Rompe - Nuvem escrevem muito bem em poucas palavras. Este é o gênero literário denominado EPIGRAMA
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