Areias ao Vento
Sobretudo sobre o nada da existência arte,filosofia,e ciência; sobre tudo e sobre nada:do oculto e da sapiência
Durante essas duas semanas em que me ausentei ou me furtei à responsabilidade de escrever o meu weblog, imaginei o que os outros blogueiros escreveiam para justificar a sua ausência. Assim, acho que encontrei uma boa maneira de compensar a minha ausência. Também procurei escrever mental e diariamente em blocos de idéias que julguei serem de tamanho equivalente aos que normalmente escrevo aqui no Areias ao Vento - compensando desta meneira no espaço o que não pude fazer no tempo. As idéias mais complexas anotei num caderno de anotações marrom que carrego comigo e transcrevitudo para vocês lerem .


Por que passei (mais de )duas semanas sem escrever o meu diário:

Estilo silício e silêncio


Eu quis escrever signos mas o ruído da carne ware sendo costurada por mãos semiológicas no meio surreal de um hospital público mão me permitiu emitir a mensagem.

Estilo Morfina


Eu quis escrever sobre o hospital público onde eu estava coma a minha avó octagenária, em meio aos pobres enfileirados em macas nos corredores lotados, negros com câncer, mulheres gordas operadas com sondas nas veias, crianças com braços e pernas quebradas, gemidos e pedidos de socorro.

Estilo Ramazzotti


Cara, eu tentei escrever quando cheguei do hospital mas eu tive que sair pro agito, porque a vida é feita pra ser vivida: vamos curtir, pessoal!

Estilo Delícias Cremosas


Eu tentei (aliás, nós todas)escrever o que aconteceu comigo naquele hospital público, mas eu só conseguia pensar que um dia eu poderia estar grávida dele, claro, então eu me lembrei de como é acordar do lado dele e deixei para escrever depois da gente transar.

Estilo Expressões Letradas


Eu quis escrever , mesmo estando acompanhada da minha querida avó idosa, mas me vi envolvida demais com as questões relativas à sua saúde. Duas semanas se passaram como se eu não tivesse mais saído daqueles lugares, como se parte de mim tivesse ficado ali com os doentes daqueles hospitias e postos de saúde aonde vão as pessoas para atenuarem os seus sofrimentos ou para salvarem as suas vidas auxiliadas por anjos vestidos de branco, os médicos .

Estilo O Poeta Que Pariu


E eu a tentar escrever
Sobre a dor que sentia
Mas sequer pude fazer
Aquilo que eu gostaria

Pois demorei demais
Para sair daquele lugar
O corpo, a mente,iguais
Sem poderem se libertar
Internados em hospitais

Esperando receber alta

Estilo Catarro Verde


Eu quis escrever mas a minha avó velha e enrugada tava com uma ferida enorme na perrna direita, que tinha necrosado e também enchido de pus brotando pelas cascas do machucado e o pé dela ficou todo preto. Então os médicos tiveram que dar anestesia local e arrancaram a carne podre até deixar o osso fíbula exposto e aquela carne inflamada vermelha em contraste com a perna roxa era nojento demais até pra mim. Eu pensei que iam ter que amputar o pé da coitada, e se fossem amputar eu ia assistir. Por isso tive que levar ela todo o dia pra fazer curativo no buraco aberto,e não deu pra escrever. Sabe, eu fico olhando jogarem soro pra quando tirar o curativo não despregar a casca da ferida senão ia sangrar e doer muito.


Estilo Tem certeza?


Quando eu era inocente...

Me disseram que deus não castiga quem é bonzinho...
Que quando machuca, dá um beijinho que passa...
Que o inferno não existe...

Então eu vi o pé da minha aó daquele jeito e tive que levá-la ao hospital.

Estilo Areias ao Vento

Eu quis escrever mas os dias de dor e sofrimento em nosocômios tornaram a tarefa impossível. Nos corredores superlotados dos hospitais públicos eu vi um retrato vivo(mas nem sempre) da dor e sofrimento povo brasileiro oprimido pela pobreza e injustiça social. Eu vi homens negros esqueléticos minguando de dor e câncer com metástases por todo o corpo; velhos ressequidos arrastando-se pelos corredores; mulheres gordas operadas exibindo sondas intravenosas, encolhidas em macas; crianças chorando de dor, manha e desabandono; filas para curativos;salas de espera lotadas de parentes e pacientes impacientes; e médicos e enfermeiros correndo para fazer o impossível que é salvar essas vidas no grande hospital público que é o Brasil.
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