Areias ao Vento
Sobretudo sobre o nada da existência arte,filosofia,e ciência; sobre tudo e sobre nada:do oculto e da sapiência
Saudades de São Paulo

Eu vejo nas ruas de São Paulo uma gentarada apressada, aglomerando-se de vez em quando diante de um corpo atropelado com fraturas expostas numa poça de sangue. Casais entrando em motéis baratos, pardieiros sitos em ruas de paralelepípedos catingando à mijo e merda, vizinhos de botecos e bibocas, ninhos de baratas, pulgas, carrapatos e percevejos, as paredes pichadas e cortadas por gambiarras de fios emaranhados aonde vão pivetes com os corpos cobertos de piercings, fechados por tatuagens tribais, marcados por cicatrizes de picos nas veias e também obesos mórbidos e magros esqueléticos, e velhos ranzinzas em busca de um baque pesado.Ruas degradadas, vidas desregradas desgraçadas, vira-latas sarnentos e vagabundos dormindo embaixo de pontes arrastando-se em túneis e meliantes trancados em celas, fugitivos escondendo-se em becos.
Prostitutas nordestinas vítimas do destino seminuas emperequetadas de bijuterias coloridas fazendo ponto numa zona da Augusta. Vielas escuras, covis de tarados em meio ao entulho e restos em putrefação quiçá alguma carcaça de algo morto entre dois cortiços envoltos em alambrados e arames farpados tomados por cupins e de paredes rachadas e pinturas mofadas com infiltrações, defronte aos quais latões de lixo eventualmente abrigam um feto abortado ou recém-nascido rejeitado por sua mãe miserável ou uma puta que o pariu e nem viu, de tão dopada numa fossa ou cisterna num barraco de favela na marginal de um córrego destes que cruzam a paulicéia, poluídos por rejeitos tóxicos desta ou daquela indústria química periférica tocada por operários químicos periféricos. Praças tomadas por camelôs vendendo quinquilharias hippie, apetrechos e bugigangas esotéricas típicas e garrafadas medicinais com ervas curativas. Mendigos bêbados maltrapilhos em andrajos fedegosos portando canecas de metal com moedas a mendigar em camas feitas de papelão diante das galerias de pequenas lojas vendendo futilidades supérfluas num bairro chique.

Ah, a falta que faz São Paulo ...
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