Areias ao Vento
Sobretudo sobre o nada da existência arte,filosofia,e ciência; sobre tudo e sobre nada:do oculto e da sapiência

Egonomia

Para aqueles que quiserem saber quem eu sou(ou quem sou eu)

Egonomia

Uma homenagem a mim mesmo...
Quem sou eu nos dias chuvosos
Nas ruas sinuosas
Nos caminhos adversos
No frigir dos ovos
Quem sou eu para os
Bonzos,um sacerdote
Para os Taumaturgos
Um companheiro
Para os poetas
Um corruptor

Quem sou eu nas sendas tortuosas
Nos momentos de crise
Nas falhas e deslizes
Na hora da verdade
Quem sou eu para os lutadores
Um adversário
Para os criadores
Um exemplo
Para os jogadores
O mestre
Para os motoristas
Um pedestre
Para as aves
Um terrestre

A Igreja me vê como um pagão
A sociedade como um monge
Outsider
Andarilho dos subterrâneos
Apátrida, Pária, Herege
Persona non grata, místico
Fanático, radical, reacionário
Eremita, militante, chauvinista
Andrógino, itinerante
Amálgama de tudo isto
Paradoxo ambulante,
Enfim: eu mesmo.

Vejam aquele que é belo
Mas a beleza não ostenta
É sábio mas a sabedoria
Um tapete
É culto mas a cultura
Um falsete
É velho mas a velhice
Imberbe
É maldito mas a maldição
Repele

Inventem dele lendas
Boatos e calúnias
Difamem quem é reto
Corrijam o que ele fez
De certo
Enterrem suas verdades
No cemitério

Deixem-no só para conviver
Com suas quimeras
Para fazer amor
Com suas histórias
Para plantar e colher sozinho
Suas glórias

Façam-no de títere
Ou de pivô
Duma trama sórdida
Envolvam-no
Em mil maquinações
Em enredos
Que prejudiquem-no

Usem-no como peão
E Como objeto inútil
Então livrem-se dele
Tentem a todo custo
Escravizá-lo
Com paixões baixas
Mas se não puderem

Desistam e fujam
Pois ali está o homem
A forca que reside
Em si mesma
O orgulho de nada ter
A não ser a razão
Daquele que ousou
Usou o Universo
Como a um veículo
Para o seu amor



Fujam pois seus olhos
Ferem como adagas
Nós que somos ímpios
Ígneos, iníquos
E servos do Mal;fujam.

Ali está a verdade
A realidade
E a temida coesão
Que combatemos

O seu nome reúne
Nove outros agregam
Ao primeiro tal poder
Que ele teria que ser
Derrubado nove vezes
Para se abater de vez

As suas palavras soam
aos escudos golpeados
Pelas inverdades ditas
Tal espadas afiadas
A serviço do bem

E a sua residência
É tal uma fortaleza
Protegida
Pelo criador de tudo
Contra ela só podemos
Gritar imprecações
Bravatas inúteis,mas...

No último dos dias
Seremos milhões
E, ele estará só
Assim como outros
Existirão separados
Estarão sem forca
Esperemos...

Quem sou eu
Nos desafios
Nos desafinos
Nos desatinos
No entardecer cinzento
Na construção de um novo mundo
No irreal e nos pesadelos noturnos

Quem sou perante aqueles
Que se fazem de amigos
E que se declaram inimigos
E daqueles que se mostram
Mas demonstram ser outros

Quem sou eu nas linhas tortas
Rabiscadas no manuscrito de Deus
À beira das portas,nas horas mortas
Nos corredores sombrios de bibliotecas

Quem sou eu nas cidades perdidas
Nas muitas escadarias infindáveis
aonde velhos pianistas foram morrer
Nos vis motéis, baratos e imundos
Acompanhado de más recordações

Para os limítrofes
Um semelhante
Para os estéticos
Um semblante
Para os críticos
Uma vítima
Para as mulheres
Um homem

G.G. 19/10/98

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